segunda-feira, dezembro 05, 2011

Old souls

Penso em ti de forma recorrente, os pensamentos livres e autômatos não pedem licença, se instalam e propagam emoções desconexas, sinto tua falta como uma abstinência imposta sem o propósito, o sacrifício não expia culpas, a privação dos sentidos não traz serenidade e sim a angústia da espera, talvez uma lembrança esquecida de tempos remotos que insiste na curva do teu queixo ou no som de tua risada. Muito mais que palavras na trilha sob as folhas secas, um perfume de incenso que perdura no ar, a cortina tênue não encobre os signos do tempo que se fazem presente, há na textura da pele e no sabor do teu beijo uma vaga memória que persiste em minha alma.

domingo, novembro 27, 2011

Magia


Havia sentido sua presença, como uma corça sente instintivamente o predador. Seu hálito quente desmentia sutilezas e insinuava a rendição inercial dos sentidos. Desejava-lhe de forma errante, sem a precisão das latitudes ou longitudes entre sombras e ténues luzes, buscava o contorno do prazer etéreo, a resposta ainda não dita, a simplicidade física de espasmos gerados no avesso, reflexo instantâneo de pensamentos aleatórios carregados de sussurros inaudíveis, imaginados no esboço do traço que persiste em carícias silenciosas...

domingo, novembro 20, 2011

Liquefação dos sentidos


Naquela manhã especialmente acordara diferente, ao invés de espiar a vida pela janela, pulou da cama e correu ao espelho, urgência em saber-se sólida. Durante a noite havia sonhado que era líquida, mulher líquido, assim queria o contato da retina pra certificar uma solidez cristalizada em reflexo. Acendeu a luz, uma imagem suave e simpática aconchegou-lhe um bom dia, trocaram caricias gentis entre alguns pedidos de desculpas e juras de amor eterno. Mais tranquila, caminhou lentamente até a janela agradecendo em silêncio a luz do sol que incidia sobre seu corpo e certificava sua existência, contudo não havia percebido que aos seus pés, gotas denunciavam um provável degelo.

segunda-feira, novembro 14, 2011

Entre o céu e a terra habitam as incertezas



Havia inscrito-o sob a pele em uma operação meticulosa de ato cirúrgico e um quase haraquiri, desconhecia do amálgama resultante qual parte lhe cabia e qual parte era presente.  Embora, soubesse desde o inicio que não havia como sair incólume do ato de observar a própria experiência.



terça-feira, novembro 08, 2011

Mula, uma árvore e rosas - personagens secundários


[          Trazia na algibeira, fumo, uma garrafa de pinga e uma foto esmaecida de sua mãe quando mocinha. O sol queimava-lhe a pele, os miolos não, porque o chapéu velho protegia. Olhou pra longe e deu uma preguiça miserável de cavalgar até onde a vista alcançava. Sentiu saudade da infância onde o mais longe que se via era o curral e o vulto negro das vacas. Agora estava ali, fadado que nem alma penada a comer poeira debaixo de um sol escaldante. Reviu a mulher desdentada que sem perguntar havia previsto que morreria sozinho num lugar distante. Longe estava e bem distante por sinal, só restava agora morrer, pensou em um rasgo de humor negro. Cuspiu o fumo, olhou o céu e ponderou que a morte naquele instante parecia um cenário bem mais agradável que o visto de cima do lombo daquela mula velha. ]

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[          Cafés fumegantes, bocas e um sorriso vermelho, a árvore cúmplice tudo ouvia. Sentiu-se incomodado com as folhas tremulantes que pareciam rir de suas palavras trôpegas. Olhou nervoso, buscando outro sitio para sentar, sem saber como explicar que fugia de uma árvore intrusa que ouvia seus segredos. Ah, além de ridículo percebeu-se também louco, e ali, bem ali, entre a árvore e os dentes, se deu conta de que a vida, na verdade, era uma encenação boba de uma peça qualquer de algum autor entediado. ]

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[           Releu mais uma vez a carta, promessas de amor eterno, amassou entre os dedos e os seios, suspirando um desejo morno. Escondeu a missiva entre as partes pudendas, gostava assim de carregá-lo rente ao corpo, insinuando um pecado histórico. Suspirou novamente, arrumou o cabelo e resoluta foi preparar o chá, de Rosas Brancas, pra combinar com sua tão preciosa castidade. ]

sábado, novembro 05, 2011


entre a flor e a calçada, uma nudez pálida 
de pedra lavada em gotas de chuva
revela segredos sutis da madrugada

sexta-feira, novembro 04, 2011

Valquíria


Toco-lhe entre concreta e fugidia, não correndo o risco de ver me presa, escapo ao tato, o espinho da rosa fere, assim como minhas palavras, não queira beijar-me, morrerás sedento, e eu a correr mundo, alada como uma Valquíria, escolhendo os eleitos. Crês em vida eterna, então não venhas a mim.


domingo, outubro 23, 2011

Tardes

Acalento lembranças
como também sombras 
que o sol projeta na parede
há amores trancados em mim 
esperando somente 
a troca de guardas 
para fugir madrugada à fora


Insisto em ruminar medos 
e como mosaico
me quedo em partes 
à espera da brisa da tarde
que como amiga velha 
vem aquecer os ossos 
com uma xícara de chá 
dedos de prosa

sexta-feira, outubro 21, 2011

Cursed

Cada palavra era como beijo suave, adejar de borboleta pós chuva fresca em manhãs primaveris.

Buscava-a, como quem busca furtivo uma droga, se esgueirava sorrateiro atrás de sombras e, talvez, uma culpa. Resistia à possibilidade de tê-la perdido, embora nunca a tivesse. No entanto, guardava um segredo, entre poesias, vinhos e desejos, vislumbrara sua alma nua, e agora, a mantinha aprisionada em lembranças, essas que voltavam intermitentes para assombrá-lo.


E, como em um pacto, foram ambos amaldiçoados, por palavras e lembranças, a se buscarem...

quarta-feira, outubro 19, 2011

Intermezzo

Enquanto olhava-o nos olhos desabotoou silenciosamente o último botão da blusa. Não usava soutien, talvez em um ato tardio de rebeldia, tampouco usava pérolas ou qualquer outro adorno. Prendia-o com o olhar, muita mais que sua nudez opaca. Foi até à bolsa e acendeu de forma ausente um cigarro, tragou, esperou, e, por último soprou a fumaça na chama pra ver o efeito de vê-la avivar. Prazer. Fogo, cor vermelho sangue. Caminhou até à janela, parou e contemplou o vazio do longe. Nada havia a ser dito e, no entanto, tudo a conversar.
- Sinto sua falta - Informou de forma lacônica, como quem dita uma carta. Me chame de louca, talvez eu seja, mas mesmo assim, ainda sinto sua falta.

quarta-feira, outubro 12, 2011

Desculpas

Algumas vezes, a única coisa que nos resta é um singelo pedido de desculpas, nada mais. Nenhuma outra palavra ou justificativa que possa dar conta de um ato total de inabilidade em lidar com o sentimento alheio.

Assim, estou sendo corroída pela culpa, culpa por transitar sem carteira de habilitação por estradas desconhecidas, culpa por atropelar sentimentos e esfacelar fantasias.

Assim, somente me resta, pedir desculpas.

terça-feira, outubro 11, 2011

Dia não genérico

De cama, a observar o mundo, meu ciático deu o ar da graça, e estou assim, meio torta, não muito diferente do meu estado natural, um ser meio torto.

Pois bem, estou aqui a contemplar, da minha cama admiro meu pequeno jardim de suculentas e as montanhas ao fundo em meio às nuvens, como num quadro de Turner. E, o vento, que vem a cada hora perguntar como estou.

É interessante, simplesmente, contemplar e ao mesmo tempo se deixar admirar de que fazemos parte.


sábado, outubro 08, 2011

Bom dia

Esta postagem é somente pra te dizer "Bom dia"!

Seja bem vindo, leia, sinta, passeie pelos versos!

A manhã lhe dá bom dia, as flores lhe dão bom dia, as árvores, o sol, deixe a energia do dia te envolver, se entregue!

Beijo grande

domingo, outubro 02, 2011

Nós seres comedores *


Quem me conhece acompanha minha luta, batalha interna em me tornar um ser mais evoluído, integrado à natureza, e, por conseguinte, vegetariano. Há uns 9 anos que vivo entre estar vegetariano e onívoro. Um amigo disse que eu não era vegetariana e sim estava. Ele estava certo, nesses nove anos nunca fui totalmente vegetariana.

Tudo começou na gravidez, fui fazer yoga e tive oportunidade de conviver com seres mais evoluídos, que se preocupam com o planeta, energias e seres vivos não comestíveis. Sou uma pessoa altamente influenciável, ainda bem, na adolescência minha mãe vivia me dizendo para olhar as companhias, e eu morria de medo das más companhias que comiam criancinhas. Assim, passei incólume pela adolescência sem comer criancinha alguma.

Pois bem, nesse grupo comecei a ter preocupações com alimentação, arroz cateto, feijão azuki, algas, pastas de soja, pão sem glúten, clorofila, e por aí vai. Sou extremista do tipo radical, quando mergulho, mergulho fundo, não dou vôos rasantes. E assim, fiquei mais radical dos mais radicais, parecia que tinha nascido vegetariana. Tudo piorou quando influenciada por um amigo, comecei a querer me alimentar com comida crua, esse então comia pão assado no calor do sol. E, o interessante é que uma viagem leva a outra viagem e a outra, sempre com companheiros de viagem mais interessantes, que contribuem para encher nossa maleta de viagem cada vez mais com esquisitices. Dessas minhas viagens comecei a beber água com argila que é excelente, carvão vegetal em pó, clorofila, suco verde, suco vivo, babosa, erva de passarinho etc.

Recentemente, não tão recentemente, desde que me separei, há uns 4 anos venho tentando manter a alimentação mais saudável e não comer seres vivos com mobilidade.(Segundo um amigo, ele é carnívoro porque é contra comer seres imóveis, os vegetais nada podem fazer para fugir a nossa caçada). Mas, digo que é difícil, fico sempre na linha tênue em ser mais evoluída e me levar pelos anseios primitivos da carne. Assim, venho alternando períodos evoluídos com períodos de barbárie (desculpem-me, seres comedores de carne), mas é assim que me sinto.

Toda vez que acho que estou caindo em tentação entro naqueles sites vegetarianos que mostram porquinhos, vaquinhas, pintinhos com as estórias mais tristes de meus amiguinhos e eu choro horrores (meus filhos já até sabem e perguntam - mãe vc esta vendo a vitela de novo?). Depois, saio renovada e fico ainda mais determinada a não me deixar levar pelos meus instintos de predadora. Visitar esses sites aplaca minha fome de carne, mas da última vez não adiantou muito.

A primeira vez que sucumbi, eu já estava há um bom tempo sem comer carne e vivia sonhando com bacon, presuntos e costelas. Verdade, tinha um sonho que era recorrente, uma festa romana com bailarinas em roupas esvoaçantes dançando com pernis assados em bandejas. Não me pergunte o porquê das bailarinas, nem eu nem a analista decodificamos o sonho. Nessa época eu tive uma gastroenterite braba, quase morri (sou exagerada) fiquei três dias comendo papa de arroz sem tempero e óleo algum. No terceiro dia, tonta de fome fui ao supermercado comprar alimentos, e sem me dar conta me peguei parada em frente à seção de frios, fiquei namorando todos aqueles pastramis, presuntos, parmas e mortadelas. Não agüentei muito tempo, comprei meio quilo de alguma coisa vermelha, cheirosa e saborosa, não esperei nem chegar em casa, comi uns 3 sanduíches no estacionamento. No dia seguinte comi feijoada e no terceiro dia, um joelho de porco em um maravilhoso restaurante alemão. E o pior, é que não senti nada, nenhum mal estar, absolutamente, nada, nada que pudesse dar forma ou cor a uma possível culpa de comer meus irmãozinhos.

Os amigos deliram de felicidade quando você cai em tentação, é como se você tivesse uma doença grave, e, de repente, estivesse livre da morte. Não entendo.

A carne de vaca eu não como ate hoje, mas, de carne branca passei a comer carne bege, mais recentemente rosa e laranja. Já me percebi relativizando e reclassificando, o camarão é quase um vegetal, poderia ser uma planta, a lagosta também não conta, o peixe é peixe e Jesus distribuía, assim, não tem problema.

Da última vez, voltar a comer carne foi uma decisão do universo e não minha. Eu estava novamente sonhando com carne, me sentindo comendo picanha, mas, resistia bravamente, até um sábado que passei novamente por um jejum forçado. Cheguei em casa querendo enfiar o pé na jaca, liguei para uma amiga que estava passando mal, fiquei com preguiça de sair e acabei pedindo uma pizza. Consegui resisti à tentação de pedir uma pizza de peperoni e pedi uma de escarola, bem vegetariana!

Trinta minutas depois eu abro a caixa e meus olhos se arregalam, na caixa havia as mais lindas rodelas de lingüiça calabresa! Nem pensei em ligar e reclamar, pacientemente retirei cada rodela, uma a uma. Até que percebi meu dedos sujos e fui lamber as pontas, senti o sabor da lingüiça, lambi mais uma vez. Por fim, decidi lamber as próprias rodelas! Lambi umas quatro, na quinta decidi que poderia mastigar. Arrependida e com culpa cuspi a carne, mas engoli o sumo.... Olhei bem, olhei de novo e em um gesto repentino e impulsivo peguei todas as rodelas e joguei de volta na pizza. Enrolei bem e comi tudo, a pizza inteira, gigantesca, sozinha recheada de calabresa! (acho que nunca mais vou ter coragem de olhar um porco nos olhos novamente)

Como o meu amigo havia dito, não existem coincidências e temos que entender as mensagens do universo. Como ser inteligente (tudo bem, não entendi a geladeira), mas essa mensagem aqui era clara. A carne tinha chegado como um sinal do céu, como um presente para mim, e presentes a gente não questiona, ainda mais presente do universo. Assim, estou mais uma vez às voltas com meu lado bárbaro e comedor de seres (não por muito tempo, já que minha consciência e culpa não permitem), mas, até lá vocês, caros amigos, poderão ter o prazer de me convidar para um churrasco.


Beijos dominicais com sabor de picanha!!!

P.S - A tirinha é do sapobrothers

P.S II - * Tive que republicar esse texto, caros amigos, cai em tentação novamente e em um ato insano durante 3 dias consecutivos, comi - tenho que admitir, como quem admite os pecados em praça pública esperando ser açoitada - comi galetos. Deus, quase chorei, quase, justamente por não ser, o ser que busco ser, um ser evoluído. Vou parar por aqui, pois esse p.s. tá virando outra postagem!

segunda-feira, setembro 19, 2011

Indisponível

Não me olhe
Não sou mais quem digo ser
Fui
Meu sorriso não diz nada, não se iluda
Minhas palavras são vazias, promessas não cumpridas
Seja você por você, não me espere
Nem me dê a mão, tampouco
Não queira um carinho, palavra amiga, muito menos respostas

Talvez, um café na manhã cinzenta, e basta!

quinta-feira, agosto 25, 2011

Indefectível destino

Atrás de suaves carícias, olhei seus olhos, o brilho ingênuo lembrava coragem, determinação e bondade, olhos de quem busca o caminho, e eu, alguma pista que mostrasse o interesse, afinidades soltas, perdidas, toques avulsos de um inconsciente presente na ponta dos dedos. Conheço-te de longe, bem longe... Sem explicação aparente fiquei nervosa e com as pernas bambas. Ah, vá entender, coisas estranhas de mulher maluca que cisma com o indefectível destino. Será? Não sei, mas que dá o que pensar dá.

quarta-feira, agosto 10, 2011

Turista

Olho como quem olha bicho esquisito, olhar estrangeiro em terra estranha. Busco detalhes, o negativo de uma foto a revelar. Linhas, arcos, curvas, arquitetura imprecisa, sem rigidez, sem padrão. Na esquina um saco de lixo briga contra valores,  modernidade e educação. Temas, questões existenciais, arquitetônicas, emocionais passam como paisagem, pela janela fico admirando, como turista acidental uma realidade que me chega distante.

sexta-feira, agosto 05, 2011

deserto

a vida passa mais lenta, na poeira dos templos, nas pedras milenares, na sombra fresca da arvore, memorias de outras eras, o passado e o presente, na pedra.

domingo, julho 03, 2011

TPM existencial

Somos 16,2 milhões de miseráveis (Brasil), somos espécie em extinção (planeta), celebramos a morte de alguém, e não é uma questão religiosa, jogamos lixo na rua, matamos, desprezamos, desonramos, esqueci de mais alguma coisa? Provavelmente... Seriamente, qual o nosso problema?

Queria correr muito, correr, correr e quando olhasse pra trás ver toda a existência ordinária abandonada no caminho, como pele de cobra. Ando meio sorumbática, ensimesmada e sem respostas. Impregnada de uma dualidade, não sei se choro ou se rio, se corro ou se fico e quando fico quero fugir. Se pacifico, me canso e quero a luta, se luto, me canso e quero a paz. E, essa indefinição de desejos, não é uma condição do meu gênero, contrariando Freud e Lacan, e sim do ser.

sexta-feira, junho 24, 2011

vida na prateleira


Letras tortas                             Lentilhas

Olhares Tortos                          Óculos Rayban

Falsos tormentos                      Dipirona sódica

Velas avulsas                            Todas do 7º dia


Ontem lembrei me de ti
num esforço mórbido de quem tenta vencer o Alzheimer

Lentilhas, óculos, analgésico e velas

Sintomas soltos de uma vida triste
ou
uma lista de compras do mês passado


quarta-feira, junho 15, 2011

Ecos do tempo

estendo o braço numa tentativa cega de tocar a superfície fria e branca da gota translúcida, tarde, a gota se esvai como o éter que desaparece, vejo seus olhos, não mais que seus olhos, esses me sorriem através do tempo, não vá, ainda peço, mas são ecos de um pedido negado, a fronteira do tempo para sempre irrompida, os acordes trazem a dor escura de mais uma noite sem lua, estrelas que nada dizem, cúmplices da música que ecoa a  minha volta e me veste como num ritual de morte.



quarta-feira, junho 01, 2011

Eu, ciclope

Tive um sonho estranho, sonhei que tinha somente um olho. Sim, eu era um ciclope. Não um qualquer, um ciclope fêmea, com certeza. Na minha esquisitice onírica eu delineava meu único olho com um lápis preto e com o dedo acertava o borrão. Dentro do meu sonho, na mais aparente normalidade, eu não questionava o fato de ter somente um olho e nem me achava estranha, minha única preocupação era acertar o contorno do delineador no meu único olho! Ficam perguntas, por que estava eu me embelezando? Eu só tinha um olho! Quem eu queria seduzir, com um único olho?  Deus, não posso mais comer caqui antes de dormir!

p.s - por razões óbvias, me abstive de fazer qualquer tipo de análise desse meu sonho tão revelador!
 

domingo, maio 29, 2011

o prazer cálido das manhãs inexistentes*


a maciez da noite cai translúcida
tímida ante seu olhar tremulo de moca jovem
a alma voa livre para encontrar o amor perdido na madrugada dos tempos
seu toque suave insiste na lágrima que molha caminhos


dedos ao acaso revelam um amor doído
orgasmo de um desejo incerto


seu olhar jamais volveu ao meu, e no entanto, ainda te busco nos
amanhãs que nunca chegam.


* p. s - esse poema está la no blog do amigo Tuca Zamagana, desinformação seletiva,  faz parte de um presente coletivo para a linda Raíssa. Mais uma vez, parabéns Raíssa!

quarta-feira, maio 25, 2011

Espera

te busco, de forma incerta
na certeza de amanhãs que virão
na geografia imprecisa
entre um raio de sol
e uma folha trêmula
o veludo da terra abriga
segredos úmidos
uma dor, sem pai ou mãe
orfã dos tempos
das horas também incertas
acalenta ausências

não há conforto na dor do amor
somente a certeza...
do vazio





domingo, maio 22, 2011

Despedida

Obscura em mim sua alma sem detalhes
silenciando lamúrias sutis de um entardecer opaco

feito de espelho e quimeras de um desejo antigo
com brisas de folhas azuis a agitar a janela
mosaico de pedras e seixos esquecidos
gravetos mortos e tortos
saídos, de um simples
era uma vez...


quinta-feira, maio 05, 2011

Previsão do tempo

te quero como uma manhã gentil
clara, límpida
e leves nuvens esparsas
lá longe no horizonte
desejo bobo de previsão do tempo
ah, ledo engano meteorológico
amanheceste assim
nublado e tempestuoso
e eu, sem galochas ou guarda-chuva
fiquei assim
molhada e com frio

segunda-feira, maio 02, 2011

Desejo


o riacho cala o silêncio da tua nudez


                   o vento treme ao ver-te nua


                                    ambos perpetuam desejos


À flor da pele!
Foto: À flor da pele - Mcpial /br.olhares.com


domingo, abril 24, 2011

Silêncio

folhas caem de mim na neve fina que cobre a calçada
saltos ecoam no frio, além de um silêncio imanente que brota das coisas
alguns corvos alheios brincam em uma estátua complacente
raios de um sol tímido tentam cobrir arbustos nus

a fumaça dança preguiçosamente persistindo aquecer coração e mente
da chávena sobe e leva o olhar que foge e alcança milhas
[observa o rio que corre, o rio]
ausente do frio, mergulha nas águas profundas
águas tranqüilas que transbordam indecisões do momento
folhas, frios, dúvidas, tatuados em uma manhã cinzenta

p.s - A música é casada com o texto, é fundamental ouvi-la.

sexta-feira, abril 22, 2011

Jornada

não hesite
simplesmente, abra a porta
a hora é essa, de começar a jornada
abra o coração, os braços
e mergulhe de cabeça
o que está te chamando?
A VIDA
a vida te chama
não hesite, e como diz a música
“um pé na frente do outro
este é o ínicio da jornada”


p.s - caso não queira começar sua jornada agora, pelo menos dance, a música é ótima!!!


quinta-feira, abril 21, 2011

Sinto tua ausência

meu olhar trespassa o vazio
na busca do contorno de algo que foi

se o sol não vem mais aquecer as flores
ou, por ventura, o mar silenciar suas ondas
estrelas escuras em um céu sem cores
sobre o que falarei eu

e, se minha mão negar o carinho do vento
saberei que roubaste, não de propósito
o sabor do momento

e, neste átimo silêncio
entre o perene e eterno
em algum lugar
promessa
te espero


P.S - A você que está por aí em algum lugar bebendo vinho, fumando charuto, ouvindo um bom jazz, meu amor em palavras e agradecimento pela linda caminhada!

terça-feira, abril 19, 2011

na moldura do quadro
que limita a cena
a noite chove sua tristeza
em algum lugar a chuva cai
e molha com vida minha noite

segunda-feira, abril 18, 2011

O mundo acabou
ninguém foi informado
as luzes permaneceram acesas
as pessoas continuaram indo pra suas casas

falta alguma coisa
alguma coisa falta
e não é uma pedra no caminho

ausência maior
vazio
espaço sem limites
ausência sem matéria
empty bowl

domingo, abril 17, 2011

um jardim

dores mudas, não ditas, escondidas
flores abandonadas
de um jardim esquecido
onde outrora floresciam girassóis
hoje chora o balanço
miúdo, quando o vento passa
portão quebrado
cerca caída
na janela aberta
uma cortina rasgada
o balanço alheio a tudo embala o silêncio


p.s - quando li o poema da nydia bonetti, sorri e voltei ao passado, perdido no fundo do baú, busquei os versos acima que conversam com o poema dela.

Período branco

Período mutante, reflexo direto nas paredes que cercam este espaço virtual, que não andava cores quentes, muito menos, folhas outonais, talvez, folhas secas no chão de inverno, mas esse motivo não há. A mandala colorida escolhida também não condiz, assim, apresento em branco e preto, não vazio de cor, mas com um certo enfastio para as cores. Com o branco, da mesma forma que uma tela, abre-se espaço para a construção. O processo é o mesmo, como uma tela ou folha em branco, aberta para as cores, linhas, volumes e formas que surgirão.

Acidez

Tomou um trago da bebida e olhou à volta, buscando outro olhar, seu reflexo, algum sinal de vida. Sentiu vontade de fumar, gentilmente pediu um cigarro ao bêbado, tragou fundo, fundo, melhor impossível, que se dane os pulmões ou a ameaça de câncer, queria o prazer eterno do instante, o prazer das fumaças, da névoa, do vício puro e seco, da bebida, do cigarro e, talvez, porque não, do sexo, por cima do ombro, disfarçadamente, olhou à volta novamente, não havia vida aqui, e o bêbado, bem, o bêbado não contava...

quinta-feira, abril 14, 2011

Encontro

Sabe em mim teu zelo, teus anseios desmedidos, um amor quase sufocante, protetor. Em mim brilha o sol
suave e quente, de manhãs de verão e brisa na praia, mãos dadas a correr e a alegria boba de quem não tem pressa, a vida fugia e éramos jovens, bem, eu era jovem. Você como herói, sempre a postos para me salvar
de todos os tormentos, te angustiava minha independência, meus momentos de rebeldia, quando fugia e te deivaxa louco. No fim, você fugiu, e eu, fiquei louca. Talvez, em algum momento futuro ou, por certo, outra dimensão, a gente se encontre, prometo não fugir se você também não.

quarta-feira, abril 13, 2011

The end

Adentrou a casa e o fedor impregnou-lhe a alma, mistura de suor, fezes e urina, subiu as escadas entre ânsias de vômito e súplicas ao bom Deus - permita-me não vomitar, por favor - entre um sorriso e lágrimas, resumo de uma vida, cabelos revoltos, cobertas e moscas, no chão uma embalagem de biscoito denunciava o crime. Mais choros e a confissão - nada é o que parece ser. Limito minha existência a um sorriso fraco, tento ser forte, seguro suas mãos e contemplo sua cor amarela, pele seca e fria, o cheiro se foi, aperto sua mão e sorrio. Que mistério seria esse, cruzar vidas ao final de uma, voce se foi e eu fiquei, qual o sentido, te disse sim, te sorri, te confortei e fiquei com as misérias da lembrança ou as lembranças da miséria. Quisera eu esquecer tudo e você ainda deitada, comendo biscoitos entre lágrimas e moscas. Merda de vida.

terça-feira, abril 12, 2011

Sombras, talvez

Não me habitam as palavras, habitam sombras, sombras vagas, difusas, que se escondem aos prantos, nos cantos, tormentos do agora, do que foi ou poderia ser, sombras, desenhos opacos, da tênue luz que limita e cerca, sentimentos a esmos, dor, prazer, você em mim, perdido, de tanto em tanto, não me queira mal, te quero bem, tão bem que dói, o amor desconheço, mas conheço o ferir de querer, a mão que prende e também liberta, me deixe ir, não sei o que quero, talvez o sol do amanha ou talvez a brisa da tarde, me beije e, então, se vá, não me ouça, não sei o que falo, já nem sei e me perco, me perco em palavras, não, em sombras, e como círculo um todo recomeço, e então, de novo, as sombras....

terça-feira, março 01, 2011

Aniversário

Aniversário!!!

Parabéns! Meu primeiro pensamento é de gratidão, agradecer por tudo, por todos os raios de sol, por todo o azul, todo o verde, todas as cores dessa palheta maravilhosa chamada vida. Olho pra trás e meu coração se enche de alegria por toda a vida construída, grandes avanços, caminhos percorridos, tropeços e recomeços. As dores, essas não mais me pertencem, ficaram perdidas na curva, lá atrás, viu, atrás daquele monte. Sou acompanhada pela brisa, pelo farfalhar das folhas e um sentimento muito forte de união, união com o todo. Assim, agradeço o sorriso, o olhar, seu desprendimento, cada palavra de carinho e afago. Abraço você no meu aniversário e agradeço por caminhar comigo, agradeço se você me deu a mão, um sorriso, conselhos ou então, mesmo, algumas pedras no caminho, a você também agradeço. Abraços, cheios de vida, abraços rodopiantes de êxtase, vamos brindar!Pegue sua taça!

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Conselho

Adentrou o espaço e buscou, não sabia bem o que buscava, talvez um encontro, palavras que pudessem responder que sua ausência estava sendo sentida. Buscou referências, buscou se encontrar entre uma frase e outra, alguma pista que lhe dissesse o que fazer. Talvez devesse se aproximar, entrar em contato e pagar para ver, sim, por que não? Pagar para ver o inusitado, o diferente, aquela que suscitou estranheza e ao mesmo tempo desejo. Sim, desejo de beijar-lhe a boca, e, depois de frases reveladoras, um desejo imenso de mergulhar naquele corpo e matar sua sede, sede não simplesmente de sexo, de algo mais, de uma promessa... Ainda tem dúvida? Pague pra ver.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Nossa busca pelo amor

Séculos e séculos, em todas as idades a busca pelo amor perdura, homens e mulheres, jovens, experientes, maduros ou não. A busca fica muito mais bonita quando é sincera e dita de forma tão honesta que emociona. Nessas minhas buscas encontrei o texto abaixo e achei tão lindo, tão singelo, tão honesto que me emocionei. Faço dele as minhas palavras, na verdade, poderia dizer que ao encontrar esse texto minha busca estaria terminada, já que diria sim a todas as questões e diria sim também a todas as promessas. Promessa de amor eterno, de passeios na praia e talvez como disse o autor, de cartão de natal com a assinatura dos dois.
Talvez o sol se ponha mais cedo e a brisa venha em meu socorro dizer que logo ali depois do morro, chegando de mansinho vem ele, tranqüilo, com as mãos no bolso olhando o mar e com o sorriso perdido de quem sabe que a busca está terminada.


“Estou procurando uma gata... Que goste de carinho e que não acredite nas pessoas certas nem nos momentos certos, porque isso tudo acaba dando errado.
Que já tenha sofrido de amor e que não acredite em pessoas bem resolvidas, porque elas só vivenciam a metade dos eventos ou são no mínimo egoístas.
Que goste de massagem nos pés quando chega cansada do dia querendo mandar tudo pro espaço.
Que ame seus pais, seus filhos e seus amigos,
que goste de conversar, de andar de mãos dadas e de dormir abraçada.
Que queira fazer uma estratégia de vida comum.
Que não tenha discurso terminal ( sei que isso é querer demais... ).
Que queira ter muito prazer com seu homem,
Que seja atual, de humor refinado, de paladar apurado, mas que não seja esnobe.
Que assuma seu credo, que saiba respirar na hora certa, que ande de salto e descalça...
Que seja sensivel à arte.
Que não misture amor e dor.
Que seja urbana, destemida, mas que segure na minha mão quando estiver com medo.
Que não tenha certeza de nada, mas que seja coerente...
Que gosta de estar em família e que conheça o mundo.
Que já foi meio cigano e aventureiro mas que hoje é seguro e inteiro.
Que já calou quando deveria amar e que já amou quando deveria ter calado.
Que se arrependeu... mas que lutou até cansar.
Que assume suas convicções.
Que tem muita força de trabalho, que acredita em Deus, que tem muitos amigos...
Que olha nos olhos quando fala.
Que não se transforma.
Pra ela quero ser o único, quero ouvi-la e aplaudi-la.
Quero cobri-la nas noites de frio.
Quero sentar a mesa.
Quero cozinhar e servi-la.
Amar e amar.
Quero buscar no trabalho,
Quero levar nos lugares, quero conversar muito, quero ficar calado e apreciar.
Quero andar na chuva pra comprar remédio...”


P.S - Como boa romantica que sou, somente posso cruzar meus dedos e pedir que esse homem seja atendido e seja feliz eternamente. Boa sorte desconhecido!

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

O Vento

Saiu correndo que nem louca depois que o vento passou. Este tinha acabado de fazer-lhe um convite para visitar umas terras distantes, só pediu um tempinho para pegar um gloss e pente, se bem que não penteava cabelo, agora de gloss ela gostava, só pra ficar com os labios brilhando como se tivesse comido pão com manteiga, daquelas bem fresquinhas. Sorriu e olhou paras as árvores, o vento disse que ia fazer uma coisinha e voltava rapidinho, precisava somente dar um recado sei lá pra quem e onde, não prestou muita atenção, porque estava com a cabeça nas nuvens e no passeio. Quando o vento chegou, foi tão rápido que levantou-lhe a saia mostrando as calcinhas, da próxima vez tinha que lembrar de colocar um short ou calça. Se bem que para passear com o vento não precisava ser comportada, e ela odiava ser comportada, como também bala de anis. Agora do vento, ela gostava, na verdade, tinha uma paixãozinha secreta por ele, deus como era lindo e livre, além de ser louco. Sentiu um friozinho na barriga, mas pegou na mão do vento e foi voando por aí, foi vista lá em Granada, feliz, comendo doce de amêndoas e se lambuzando de açúcar.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Noturno

brilha em mim um céu de águas turvas
ondas verdes de folhas tremulantes
no céu poente
uma nesga de cor amarela
risca a iris negra dos seus olhos
num acalento de beijo noturno
verta sobre mim seus lábios
agora, não sou mais homem
e, por encanto
me desfiz em mar.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Alguns dias

Os raios de sol insistiam em entrar quando o dia já ia, perdeu seu olhar na varanda, nas plantas e focou no barulho da tarde, buzinas de carro, gritos de criança e um pássaro.  Sua ansiedade impedia de sentir a existência, um anestésico bloqueando o sabor dos segundos, como aquela  tarde leve de verão, de fazer de conta que tinha vivido mais um dia, e no entanto, não, era somente uma hora após a outra e, no final, a noite caia. Mas de repente, em meio à culpa, bastava só um olhar à folha tremula ou ao céu azul e era invadida por uma gratidão tamanha que já justificava o ser e estar, simplesmente. Havia o silêncio nas palavras e quando havia palavras era somente para deixar margem à indefinição. Algumas vezes suspirava e ansiava ser salva pelo mar, mas o mar estava distante.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Momento ostra

Deveria desejar Feliz Ano Novo, mas o ano veio e cá estamos em fevereiro..., algumas vezes entrava aqui e olhava, as paredes, somente olhava..., as palavras fugiram, todas, covardes me deixaram na mão, sozinha com meus sentimentos sem forma, sem conteúdo e sem significados, como transcrevê-los se o vazio me acompanhava. Não um vazio doído, não solitário, mas o vazio de um andar vago, de um olhar sem foco, de um observar calmo. Sentimento de ostra ou talvez de gestação, animal que busca a paz para parir tranquilo. Talvez, seja isso, um parir tranquilo..., de ostra.

p.s. - Aos amigos preocupados, peço desculpas, estava de férias e me convalescendo de uma cirurgia, nada demais, estou ótima, peço desculpas pelo silêncio, mas ando, realmente, meio ostra. beijo grande