domingo, abril 24, 2011

Silêncio

folhas caem de mim na neve fina que cobre a calçada
saltos ecoam no frio, além de um silêncio imanente que brota das coisas
alguns corvos alheios brincam em uma estátua complacente
raios de um sol tímido tentam cobrir arbustos nus

a fumaça dança preguiçosamente persistindo aquecer coração e mente
da chávena sobe e leva o olhar que foge e alcança milhas
[observa o rio que corre, o rio]
ausente do frio, mergulha nas águas profundas
águas tranqüilas que transbordam indecisões do momento
folhas, frios, dúvidas, tatuados em uma manhã cinzenta

p.s - A música é casada com o texto, é fundamental ouvi-la.

sexta-feira, abril 22, 2011

Jornada

não hesite
simplesmente, abra a porta
a hora é essa, de começar a jornada
abra o coração, os braços
e mergulhe de cabeça
o que está te chamando?
A VIDA
a vida te chama
não hesite, e como diz a música
“um pé na frente do outro
este é o ínicio da jornada”


p.s - caso não queira começar sua jornada agora, pelo menos dance, a música é ótima!!!


quinta-feira, abril 21, 2011

Sinto tua ausência

meu olhar trespassa o vazio
na busca do contorno de algo que foi

se o sol não vem mais aquecer as flores
ou, por ventura, o mar silenciar suas ondas
estrelas escuras em um céu sem cores
sobre o que falarei eu

e, se minha mão negar o carinho do vento
saberei que roubaste, não de propósito
o sabor do momento

e, neste átimo silêncio
entre o perene e eterno
em algum lugar
promessa
te espero


P.S - A você que está por aí em algum lugar bebendo vinho, fumando charuto, ouvindo um bom jazz, meu amor em palavras e agradecimento pela linda caminhada!

terça-feira, abril 19, 2011

na moldura do quadro
que limita a cena
a noite chora sua tristeza
em algum lugar a chuva cai
e molha com vida minha noite

segunda-feira, abril 18, 2011

O mundo acabou
ninguém foi informado
as luzes permaneceram acesas
as pessoas continuaram indo pra suas casas

falta alguma coisa
alguma coisa falta
e não é uma pedra no caminho

ausência maior
vazio
espaço sem limites
ausência sem matéria
empty bowl

domingo, abril 17, 2011

um jardim

dores mudas, não ditas, escondidas
flores abandonadas
de um jardim esquecido
onde outrora floresciam girassóis
hoje chora o balanço
miúdo, quando o vento passa
portão quebrado
cerca caída
na janela aberta
uma cortina rasgada
o balanço alheio a tudo embala o silêncio


p.s - quando li o poema da nydia bonetti, sorri e voltei ao passado, perdido no fundo do baú, busquei os versos acima que conversam com o poema dela.

Período branco

Período mutante, reflexo direto nas paredes que cercam este espaço virtual, que não andava cores quentes, muito menos, folhas outonais, talvez, folhas secas no chão de inverno, mas esse motivo não há. A mandala colorida escolhida também não condiz, assim, apresento em branco e preto, não vazio de cor, mas com um certo enfastio para as cores. Com o branco, da mesma forma que uma tela, abre-se espaço para a construção. O processo é o mesmo, como uma tela ou folha em branco, aberta para as cores, linhas, volumes e formas que surgirão.

Acidez

Tomou um trago da bebida e olhou à volta, buscando outro olhar, seu reflexo, algum sinal de vida. Sentiu vontade de fumar, gentilmente pediu um cigarro ao bêbado, tragou fundo, fundo, melhor impossível, que se dane os pulmões ou a ameaça de câncer, queria o prazer eterno do instante, o prazer das fumaças, da névoa, do vício puro e seco, da bebida, do cigarro e, talvez, porque não, do sexo, por cima do ombro, disfarçadamente, olhou à volta novamente, não havia vida aqui, e o bêbado, bem, o bêbado não contava...

quinta-feira, abril 14, 2011

Encontro

Sabe em mim teu zelo, teus anseios desmedidos, um amor quase sufocante, protetor. Em mim brilha o sol
suave e quente, de manhãs de verão e brisa na praia, mãos dadas a correr e a alegria boba de quem não tem pressa, a vida fugia e éramos jovens, bem, eu era jovem. Você como herói, sempre a postos para me salvar
de todos os tormentos, te angustiava minha independência, meus momentos de rebeldia, quando fugia e te deivaxa louco. No fim, você fugiu, e eu, fiquei louca. Talvez, em algum momento futuro ou, por certo, outra dimensão, a gente se encontre, prometo não fugir se você também não.

quarta-feira, abril 13, 2011

The end

Adentrou a casa e o fedor impregnou-lhe a alma, mistura de suor, fezes e urina, subiu as escadas entre ânsias de vômito e súplicas ao bom Deus - permita-me não vomitar, por favor - entre um sorriso e lágrimas, resumo de uma vida, cabelos revoltos, cobertas e moscas, no chão uma embalagem de biscoito denunciava o crime. Mais choros e a confissão - nada é o que parece ser. Limito minha existência a um sorriso fraco, tento ser forte, seguro suas mãos e contemplo sua cor amarela, pele seca e fria, o cheiro se foi, aperto sua mão e sorrio. Que mistério seria esse, cruzar vidas ao final de uma, voce se foi e eu fiquei, qual o sentido, te disse sim, te sorri, te confortei e fiquei com as misérias da lembrança ou as lembranças da miséria. Quisera eu esquecer tudo e você ainda deitada, comendo biscoitos entre lágrimas e moscas. Merda de vida.

terça-feira, abril 12, 2011

Sombras, talvez

Não me habitam as palavras, habitam sombras, sombras vagas, difusas, que se escondem aos prantos, nos cantos, tormentos do agora, do que foi ou poderia ser, sombras, desenhos opacos, da tênue luz que limita e cerca, sentimentos a esmos, dor, prazer, você em mim, perdido, de tanto em tanto, não me queira mal, te quero bem, tão bem que dói, o amor desconheço, mas conheço o ferir de querer, a mão que prende e também liberta, me deixe ir, não sei o que quero, talvez o sol do amanha ou talvez a brisa da tarde, me beije e, então, se vá, não me ouça, não sei o que falo, já nem sei e me perco, me perco em palavras, não, em sombras, e como círculo um todo recomeço, e então, de novo, as sombras....