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quarta-feira, outubro 12, 2011

Desculpas

Algumas vezes, a única coisa que nos resta é um singelo pedido de desculpas, nada mais. Nenhuma outra palavra ou justificativa que possa dar conta de um ato total de inabilidade em lidar com o sentimento alheio.

Assim, estou sendo corroída pela culpa, culpa por transitar sem carteira de habilitação por estradas desconhecidas, culpa por atropelar sentimentos e esfacelar fantasias.

Assim, somente me resta, pedir desculpas.

terça-feira, outubro 11, 2011

Dia não genérico

De cama, a observar o mundo, meu ciático deu o ar da graça, e estou assim, meio torta, não muito diferente do meu estado natural, um ser meio torto.

Pois bem, estou aqui a contemplar, da minha cama admiro meu pequeno jardim de suculentas e as montanhas ao fundo em meio às nuvens, como num quadro de Turner. E, o vento, que vem a cada hora perguntar como estou.

É interessante, simplesmente, contemplar e ao mesmo tempo se deixar admirar de que fazemos parte.


domingo, outubro 02, 2011

Nós seres comedores *


Quem me conhece acompanha minha luta, batalha interna em me tornar um ser mais evoluído, integrado à natureza, e, por conseguinte, vegetariano. Há uns 9 anos que vivo entre estar vegetariano e onívoro. Um amigo disse que eu não era vegetariana e sim estava. Ele estava certo, nesses nove anos nunca fui totalmente vegetariana.

Tudo começou na gravidez, fui fazer yoga e tive oportunidade de conviver com seres mais evoluídos, que se preocupam com o planeta, energias e seres vivos não comestíveis. Sou uma pessoa altamente influenciável, ainda bem, na adolescência minha mãe vivia me dizendo para olhar as companhias, e eu morria de medo das más companhias que comiam criancinhas. Assim, passei incólume pela adolescência sem comer criancinha alguma.

Pois bem, nesse grupo comecei a ter preocupações com alimentação, arroz cateto, feijão azuki, algas, pastas de soja, pão sem glúten, clorofila, e por aí vai. Sou extremista do tipo radical, quando mergulho, mergulho fundo, não dou vôos rasantes. E assim, fiquei mais radical dos mais radicais, parecia que tinha nascido vegetariana. Tudo piorou quando influenciada por um amigo, comecei a querer me alimentar com comida crua, esse então comia pão assado no calor do sol. E, o interessante é que uma viagem leva a outra viagem e a outra, sempre com companheiros de viagem mais interessantes, que contribuem para encher nossa maleta de viagem cada vez mais com esquisitices. Dessas minhas viagens comecei a beber água com argila que é excelente, carvão vegetal em pó, clorofila, suco verde, suco vivo, babosa, erva de passarinho etc.

Recentemente, não tão recentemente, desde que me separei, há uns 4 anos venho tentando manter a alimentação mais saudável e não comer seres vivos com mobilidade.(Segundo um amigo, ele é carnívoro porque é contra comer seres imóveis, os vegetais nada podem fazer para fugir a nossa caçada). Mas, digo que é difícil, fico sempre na linha tênue em ser mais evoluída e me levar pelos anseios primitivos da carne. Assim, venho alternando períodos evoluídos com períodos de barbárie (desculpem-me, seres comedores de carne), mas é assim que me sinto.

Toda vez que acho que estou caindo em tentação entro naqueles sites vegetarianos que mostram porquinhos, vaquinhas, pintinhos com as estórias mais tristes de meus amiguinhos e eu choro horrores (meus filhos já até sabem e perguntam - mãe vc esta vendo a vitela de novo?). Depois, saio renovada e fico ainda mais determinada a não me deixar levar pelos meus instintos de predadora. Visitar esses sites aplaca minha fome de carne, mas da última vez não adiantou muito.

A primeira vez que sucumbi, eu já estava há um bom tempo sem comer carne e vivia sonhando com bacon, presuntos e costelas. Verdade, tinha um sonho que era recorrente, uma festa romana com bailarinas em roupas esvoaçantes dançando com pernis assados em bandejas. Não me pergunte o porquê das bailarinas, nem eu nem a analista decodificamos o sonho. Nessa época eu tive uma gastroenterite braba, quase morri (sou exagerada) fiquei três dias comendo papa de arroz sem tempero e óleo algum. No terceiro dia, tonta de fome fui ao supermercado comprar alimentos, e sem me dar conta me peguei parada em frente à seção de frios, fiquei namorando todos aqueles pastramis, presuntos, parmas e mortadelas. Não agüentei muito tempo, comprei meio quilo de alguma coisa vermelha, cheirosa e saborosa, não esperei nem chegar em casa, comi uns 3 sanduíches no estacionamento. No dia seguinte comi feijoada e no terceiro dia, um joelho de porco em um maravilhoso restaurante alemão. E o pior, é que não senti nada, nenhum mal estar, absolutamente, nada, nada que pudesse dar forma ou cor a uma possível culpa de comer meus irmãozinhos.

Os amigos deliram de felicidade quando você cai em tentação, é como se você tivesse uma doença grave, e, de repente, estivesse livre da morte. Não entendo.

A carne de vaca eu não como ate hoje, mas, de carne branca passei a comer carne bege, mais recentemente rosa e laranja. Já me percebi relativizando e reclassificando, o camarão é quase um vegetal, poderia ser uma planta, a lagosta também não conta, o peixe é peixe e Jesus distribuía, assim, não tem problema.

Da última vez, voltar a comer carne foi uma decisão do universo e não minha. Eu estava novamente sonhando com carne, me sentindo comendo picanha, mas, resistia bravamente, até um sábado que passei novamente por um jejum forçado. Cheguei em casa querendo enfiar o pé na jaca, liguei para uma amiga que estava passando mal, fiquei com preguiça de sair e acabei pedindo uma pizza. Consegui resisti à tentação de pedir uma pizza de peperoni e pedi uma de escarola, bem vegetariana!

Trinta minutas depois eu abro a caixa e meus olhos se arregalam, na caixa havia as mais lindas rodelas de lingüiça calabresa! Nem pensei em ligar e reclamar, pacientemente retirei cada rodela, uma a uma. Até que percebi meu dedos sujos e fui lamber as pontas, senti o sabor da lingüiça, lambi mais uma vez. Por fim, decidi lamber as próprias rodelas! Lambi umas quatro, na quinta decidi que poderia mastigar. Arrependida e com culpa cuspi a carne, mas engoli o sumo.... Olhei bem, olhei de novo e em um gesto repentino e impulsivo peguei todas as rodelas e joguei de volta na pizza. Enrolei bem e comi tudo, a pizza inteira, gigantesca, sozinha recheada de calabresa! (acho que nunca mais vou ter coragem de olhar um porco nos olhos novamente)

Como o meu amigo havia dito, não existem coincidências e temos que entender as mensagens do universo. Como ser inteligente (tudo bem, não entendi a geladeira), mas essa mensagem aqui era clara. A carne tinha chegado como um sinal do céu, como um presente para mim, e presentes a gente não questiona, ainda mais presente do universo. Assim, estou mais uma vez às voltas com meu lado bárbaro e comedor de seres (não por muito tempo, já que minha consciência e culpa não permitem), mas, até lá vocês, caros amigos, poderão ter o prazer de me convidar para um churrasco.


Beijos dominicais com sabor de picanha!!!

P.S - A tirinha é do sapobrothers

P.S II - * Tive que republicar esse texto, caros amigos, cai em tentação novamente e em um ato insano durante 3 dias consecutivos, comi - tenho que admitir, como quem admite os pecados em praça pública esperando ser açoitada - comi galetos. Deus, quase chorei, quase, justamente por não ser, o ser que busco ser, um ser evoluído. Vou parar por aqui, pois esse p.s. tá virando outra postagem!

quinta-feira, agosto 25, 2011

Indefectível destino

Atrás de suaves carícias, olhei seus olhos, o brilho ingênuo lembrava coragem, determinação e bondade, olhos de quem busca o caminho, e eu, alguma pista que mostrasse o interesse, afinidades soltas, perdidas, toques avulsos de um inconsciente presente na ponta dos dedos. Conheço-te de longe, bem longe... Sem explicação aparente fiquei nervosa e com as pernas bambas. Ah, vá entender, coisas estranhas de mulher maluca que cisma com o indefectível destino. Será? Não sei, mas que dá o que pensar dá.

domingo, julho 03, 2011

TPM existencial

Somos 16,2 milhões de miseráveis (Brasil), somos espécie em extinção (planeta), celebramos a morte de alguém, e não é uma questão religiosa, jogamos lixo na rua, matamos, desprezamos, desonramos, esqueci de mais alguma coisa? Provavelmente... Seriamente, qual o nosso problema?

Queria correr muito, correr, correr e quando olhasse pra trás ver toda a existência ordinária abandonada no caminho, como pele de cobra. Ando meio sorumbática, ensimesmada e sem respostas. Impregnada de uma dualidade, não sei se choro ou se rio, se corro ou se fico e quando fico quero fugir. Se pacifico, me canso e quero a luta, se luto, me canso e quero a paz. E, essa indefinição de desejos, não é uma condição do meu gênero, contrariando Freud e Lacan, e sim do ser.

sexta-feira, junho 24, 2011

vida na prateleira


Letras tortas                             Lentilhas

Olhares Tortos                          Óculos Rayban

Falsos tormentos                      Dipirona sódica

Velas avulsas                            Todas do 7º dia


Ontem lembrei me de ti
num esforço mórbido de quem tenta vencer o Alzheimer

Lentilhas, óculos, analgésico e velas

Sintomas soltos de uma vida triste
ou
uma lista de compras do mês passado


quarta-feira, junho 01, 2011

Eu, ciclope

Tive um sonho estranho, sonhei que tinha somente um olho. Sim, eu era um ciclope. Não um qualquer, um ciclope fêmea, com certeza. Na minha esquisitice onírica eu delineava meu único olho com um lápis preto e com o dedo acertava o borrão. Dentro do meu sonho, na mais aparente normalidade, eu não questionava o fato de ter somente um olho e nem me achava estranha, minha única preocupação era acertar o contorno do delineador no meu único olho! Ficam perguntas, por que estava eu me embelezando? Eu só tinha um olho! Quem eu queria seduzir, com um único olho?  Deus, não posso mais comer caqui antes de dormir!

p.s - por razões óbvias, me abstive de fazer qualquer tipo de análise desse meu sonho tão revelador!
 

domingo, abril 24, 2011

Silêncio

folhas caem de mim na neve fina que cobre a calçada
saltos ecoam no frio, além de um silêncio imanente que brota das coisas
alguns corvos alheios brincam em uma estátua complacente
raios de um sol tímido tentam cobrir arbustos nus

a fumaça dança preguiçosamente persistindo aquecer coração e mente
da chávena sobe e leva o olhar que foge e alcança milhas
[observa o rio que corre, o rio]
ausente do frio, mergulha nas águas profundas
águas tranqüilas que transbordam indecisões do momento
folhas, frios, dúvidas, tatuados em uma manhã cinzenta

p.s - A música é casada com o texto, é fundamental ouvi-la.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Momento ostra

Deveria desejar Feliz Ano Novo, mas o ano veio e cá estamos em fevereiro..., algumas vezes entrava aqui e olhava, as paredes, somente olhava..., as palavras fugiram, todas, covardes me deixaram na mão, sozinha com meus sentimentos sem forma, sem conteúdo e sem significados, como transcrevê-los se o vazio me acompanhava. Não um vazio doído, não solitário, mas o vazio de um andar vago, de um olhar sem foco, de um observar calmo. Sentimento de ostra ou talvez de gestação, animal que busca a paz para parir tranquilo. Talvez, seja isso, um parir tranquilo..., de ostra.

p.s. - Aos amigos preocupados, peço desculpas, estava de férias e me convalescendo de uma cirurgia, nada demais, estou ótima, peço desculpas pelo silêncio, mas ando, realmente, meio ostra. beijo grande

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Feliz Natal

Queridos amigos da blogosfera,


Ontem fui visitada pelo espírito Natalino, não o de compras, mas o outro que leva compreensão ao coração dos homens, arrependimento e perdão. Recentemente aconteceu algo em minha vida, eu e meu grande ego sofremos muito, incomodou pra cacete, fiquei muito magoada e toda vez que lembrava chorava por dentro. Não sou de sentir rancor de ninguém, nem de carregar mágoa, mas me perguntava porque aquilo tinha acontecido comigo e o que levou a pessoa a fazer aquilo.

Pois bem, ontem quando estava saindo do shopping, eu tive meu momento de epifania, me dei conta que todas as mudanças são para nosso bem, acredito em Deus e sei que ele quer o melhor pra gente. Cada mudança, acontecimento vem para ensinar o que precisamos, burilar o caráter, o espírito. Ao entrar no carro me dei conta que apesar do meu coração cristão, da  minha boa vontade, de não comer carne alguma, de ser solidária com o próximo e outras característica próprias que acreditava ser de quem busca a evolução, me dei conta que havia falhado em meu teste. Fui feia, julguei, minha vaidade e meu ego me impediram de avaliar com calma a situação. Pois bem, chorei e pedi desculpas, percebi como preciso ainda me livrar da vaidade, como sou prepotente e arrogante, preciso e muito desenvolver a humildade e a simplicidade. No caminho em quanto dirigia, fui olhando cada uma das pessoas que me trouxe recentemente algum desconforto e como eu havia recebido e trabalhado. Percebi as semelhanças nas oportunidades de crescimento. Agradeci a cada uma das pessoas mentalmente, pedi desculpas e, o mais incrível, aquele sentimento ruim que estava dentro de mim, acabou! O medo, a insegurança, a mágoa, sentimentos nocivos foram dissipados, ficando uma paz muito grande, alegria e uma percepção clara de mudança, de como receber a vida dessas pessoas em minha vida e olhar para elas como seres amigos que estão ofertando uma oportunidade de crescimento. Que Deus está aqui comigo, sempre do meu lado me ajudando, cabe a mim, perceber.

Caros amigos, assim, me sinto visitada, igual filme de Natal, pelo espírito Natalino. Quis compartilhar com vocês, porque gostaria que também avaliassem se estão aproveitando as oportunidades oferecidas. Perdoe, mas perdoe mesmo de coração.

Amo todos vocês e desejo do fundo do meu coração um Feliz Natal, cheio de muita paz, amor, harmonia e compreensão. Que possamos com esses sentimentos nos melhorar, melhorar o mundo a nossa volta e com isso melhorar o mundo todo!

Um grande abraço e beijo carinhoso,

segunda-feira, novembro 08, 2010

Vida que transborda

"Desenrolou o novelo calmamente e buscava com o olhar o ponto onde poderia haver o nó, puxou toda a lã e assentou pacientemente entre os dentes do pente do tear. A manhã passava tranqüila, assim como seus pensamentos, seus movimentos ritmados pareciam um bailado tramando contra o tempo e os dias gentis. Parou, esticou braços e pernas e olhou pela janela, a manhã cinzenta já ia longe e nem sinal do sol. Deitou um olhar sobre o jardim de lavanda e deixou-se levar pelo perfume, distante e mesmo assim presente percebeu um tom entre os matizes das flores que poderia aplicar e destacar o desenho de sua manta. Ainda olhando pela janela, descontente viu que seu pé de tomates carregado precisava de um esteio. Praguejou baixinho, em um lampejo viu que sua vida se assemelhava a aquele jardim, carecia de novos matizes e de um esteio."

Interessante o exercício de ser possuída pelas palavras, poderia ser um exercício de vidas passadas... Em um abandono elas chegam, sem qualquer pretensão, sem saber previamente o enredo, elas se enfileiram e vão formando uma história. De quem, como, quando, nenhuma pista, simplesmente se apresentam e dão forma a um momento que com certeza deve dizer algo para algum lugar de mim, alguma memória, algum espaço, vida, dimensão que eu tenha ocupado ou então, é meu eu se apresentando para me confortar e dizer que sou muito mais que tudo isto, a vida transborda mesmo quando nem damos conta.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Eu, você, nós

Quando compartilho dor, amor, vida, tudo, tudo deixa de ser somente meu, pois você se apropria de mim, de minhas vontades, meus quereres, das dores. Sou eu em palavra lida, sentida. A cada verso ou frase, me abro como em flor de papel. E, é tão real, que na ponta do dedo me tens. Se esticar um pouco mais o braço, verá, você toca minha alma.





P.S - Houve um tempo que eu sentia com tamanha intensidade que doía, não no outro, mais em mim mesma. Que bom que os tempos passaram e com a maturidade veio uma calmaria boa, de quem pode sentir muito e se arrebatar, mesmo, sem se arrebentar, o principal. 


Beijo grande a Linda Lua Nova que ao compartilhar  vida conosco, deixa um pouco do seu brilho de lua em nós!

quarta-feira, setembro 29, 2010

Reflexo dos astros

Talvez como fantasmas, emoções, imagens, sou perseguida, não sei bem, o sentimento é confuso....As palavras se foram ou talvez a conexão com o sentido, essas perambulam soltas sem se importar em ser ou representar... palavras sem sentido. Ao invés de escrever o que me vai na alma, acho melhor escrever sobre o poder do sol, que se dane a falta de sentido temporário ou a irritação passageira. O sol sempre brilha, o céu é sempre azul apesar das nuvens, há sempre manhãs com o seu frescor. Que eu possa me impregnar desse sentido bonito da vida e espantar o desconforto sem sentido da alma!  Talvez os astros expliquem, preciso ver meus trânsitos. O exercício é me ausentar de mim e olhar, talvez neste esforço eu consiga perceber as peças soltas e montar um lindo mosaico!

P.S - Bom dia a todos, peço desculpas pelas ausências, mas ando meio sumida, sumida também de mim... Beijos e adoro todos vocês!

terça-feira, agosto 31, 2010

A incapacidade de ver

Desde sempre soube que estamos aqui por uma razão especifica, minha maior angústia era o medo de passar pela vida e não dar conta desta missão, perder o caminho.

Assim, tenho como tarefa contínua, buscar, busco significados, desenvolvimento, me busco. A percepção é que está muito perto, plausível de ser tocado. É como se esticando minha mão eu pudesse tocar e sentir, como manifestação de vida. Mas, para isso é necessário algo mais, uma compreensão maior, ter sentidos outros para ver e ouvir. É como se tudo fosse invisível e eu impossibilitada de ver. Então minha busca seria o desenvolver desses sentidos que permitiria acessar o tão perto.

Assim, continuo, buscando, e no caminho somos responsáveis por tanta coisa, há tanto trabalho a fazer. Mas, nesta busca que chamo vida, não podemos esquecer o principal, o compromisso com o nosso eu, de sermos felizes. O resto é detalhe, simples detalhe, deveríamos nos ater ao que realmente importa. Tenho pensado que poder esticar a mão e tocar depende e muito de um estado de ser feliz. Neste estado teríamos a sabedoria, sabedoria de quem vive uma felicidade continuada.

Agora, neste exato instante, o que lhe falta para ser feliz? Responda, mas se pensar bem, bem mesmo, verá que nada. Isso mesmo, nada. Se está à frente de um computador, poderia dizer uma banda larga, uma tela maior, um programa tal. Tirando isso, nada importa nesse instante para sermos felizes. Assim, não precisamos de mais nada nesse agora para ser feliz. Então por que não nos damos conta disso e vivemos em um estado de felicidade contínua? Por que somos insatisfeitos e infelizes?

Acredito piamente que é por não conseguir dar conta do momento. Dar conta de nossa existência em cada momento. Lavando a louça, fazendo um trabalho, qualquer tarefa. O nosso existir em cada segundo, a nossa conexão direta com o nosso eu.

Por alguns instantes sou feliz, sinto uma felicidade suprema, mas esta não se sustenta ou eu não sustento o estado, sou atropelada por um telefonema, a decisão contrária do chefe, erro de alguém da equipe, fechada de um taxi no transito. E, aí, perco toda a sabedoria daquele instante. Mas, realmente, essas coisas importam tanto assim? Merecem tirar nossa paz de espírito? Minha paz de espírito?

Essa reflexão é minha. Sou um ser estressado que xinga no trânsito e irrita-se facilmente. Qual a dificuldade de manter a fleugma? Por que a necessidade de xingar, dizer palavras ásperas, de defender território como se fosse guerra? Estamos fazendo tudo errado, eu estou fazendo tudo errado.

Quero o frescor das manhãs tranqüilas, o calor de um abraço amigo, a calma das tardes sombrias, a paz do momento. Por isso digo, está tudo a minha volta, na distância de uma mão que estende e ainda sim não toco.



domingo, agosto 08, 2010

Dias genéricos

Estava cansada da morte, decidiu que haveria de viver, sua opção era a vida. Viveu fundo a morte, foi triste, foi trágico, agora que acabou pensou em como viver. Primeiro viveu o luto, no inicio tentou negá-lo até que chegou tão fundo que sangrou, sangrou todas as dores, doeu fundo a solidão, a ausência. Talvez, lá no fundo houvesse um desejo de morte, mas se descobriu viva. Aí, teve medo da morte ser contagiosa, fez todos os exames, doía todos os órgãos, morria de medo do fígado e depois o intestino. Tanto procurou que descobriu hemangiomas, cistos e um puta medo de viver só. Estava só, ele havia ido embora, partido, todos aqueles meses, médicos, hospitais, cirurgias, e agora nada. Descobriu que não tinha nada, nada, nada que pudesse preencher, dar conta daquela ausência, se deu conta que a única coisa que tinha era seu próprio sentimento. O sentimento do outro fica com outro, o que nos alegra na relação é o saber amada. Assim, se deu conta de que estava só, e naquele momento a dor se fez mais forte. Não queria saber do seu amor, não queria sabê-lo presente. Tempos difíceis. Ainda bem, que o tempo passa, as estações passam e mudam as folhas, o céu fica mais azul e o sol tem o poder de nos aquecer. Hoje quando olha o ontem, ainda é visitada por um certo tipo dor, na verdade, não bem uma dor, uma saudade incômoda. Mas, quando se olha no espelho se vê mais forte, mais feliz e crescida. Mudou, tornou-se mais generosa, solidária, compreendeu o valor do tempo presente, do agora, o valor do eu te amo, do carinho. Ao longo do caminho as folhas caem, hoje os passos são mais silenciosos, a água do riacho corre e a brisa é fresca. Assim, quando é visitada por essas lembranças, abre as janelas do coração, deixa o sol entrar e aquecer tudo, o azul inunda, o verde cura e nesses momentos ela agradece a Deus pela vida, tão linda e tão preociosa.

P.S - Feliz dias dos pais!

quarta-feira, julho 28, 2010

Férias

Eu e as crianças estamos perdidos aqui no interior de Minas, em um lugar onde o acesso a internet ainda é a manivela e o moden que deveria estar vivo está meio morto, o celular definitivamente deixou de ser celular, agora somente fotografa, não há acesso remoto em terras remotas. Assim, o silêncio dos comentários não é proposital ou retiro espiritual, é falta de tecnologia mesmo.

Se eu não me perder de vez, estarei de volta no sábado!

Beijos e saudades de todos!

sexta-feira, julho 23, 2010

Estações em mim

Em mim as manifestações de inverno são passageiras, na verdade, minhas estações são acíclicas, posso primaverar durante o outono, invernar no verão, bem como o período de duração bailar pelo incerto, talvez como um planeta bem distante, onde as estações têm o período que lhe apetecem. Posso passar também longos períodos sem estação alguma, árida, estação da seca, e terminar na estação das águas, completamente inundada.

Tudo em mim é incerto, estações, dias, noites, ventos e tempestades... não, meus passos são resolutos, firmes, passos de general, mesmo que eu não conheça o caminho...

quinta-feira, julho 08, 2010

Cabelos ao vento *

Algumas vezes não sabemos a razão que nos leva a tomar determinada decisão, talvez, seja simplesmente a resposta rápida a algum tipo de angústia não identificada. Racionalmente não haveria espaço nem lugar para tal decisão, mas ela vem surgindo como um movimento sutil e quando você se dá conta, a ação já tomou lugar. Aprendi com um amigo sábio, que se há algum desconforto na alma, a origem deste desconforto deve ser removida o mais rápido possível, pelo bem de nossa paz de espírito, óbvio, e de toda nossa existência.

Algumas vezes quando tento me dar conta da justificativa lógica para fundamentar determinada decisão, uma coisa engraçada acontece, a resposta não me vem como uma idéia construída de forma elaborada, escrita. A resposta toma forma de uma imagem, muita forte, vem como uma cena de um filme que se repete ao longo do dia, inclusive com regras de enquadramento e luz. Essa é a única resposta que eu tenho.

Pois bem, recentemente uma imagem me persegue, na verdade, uma cena. Um carro em alta velocidade, um conversível antigo, claro, contra um céu azul, uma mulher ao volante, feliz, tranqüila, cabelos curtos e louros ao vento. A imagem é vista de baixo e parcialmente de trás, como se a câmara tivesse na altura da roda, na lateral esquerda, visualizamos parte do perfil da mulher. Determinada em seguir a diante, mas sem arrogância ou rigidez, serena com o vento, ela segue. A sensação é de liberdade, de correr ao encontro da vida. Liberdade suprema do existir. O vento refresca a alma, o sentir. Não há prisão, não há correntes, não há elos, pendências... Vida livre que curte a tarde, ou manhã de abril ou maio de céu azul, uma temperatura agradável que alegra e faz querer suspirar. “We are on a road to nowhere...”, toca a musica na rádio imaginária, trazendo lembranças de ontem... Talvez uma tarde de verão nas estradas das montanhas rochosas, contra o mesmo céu azul e a mesma temperatura agradável.

A música, trilha sonora da imagem, trilha to nowhere, momento to nowhere. O que importa é o tempo presente, momento vivido aqui e agora. O amanhã não existe, já dizia o poeta, bem como meu filho, do alto de seus 5 anos. 

Sim, o amanhã não existe. Lembremos, existe somente uma seqüência de hojes. Estamos presos na armadilha do tempo, sempre o tempo presente. Tempo passado e futuro contido no tempo presente, irremediável tempo infinito, sem saída para nenhum outro tempo, sem fim. O tempo presente não tem fim, é irremediável, infinito nele mesmo. Podemos variar de lugar, cores, roupas, sensações, mas o tempo presente é o mesmo.

Assim, deixemos a divagação e voltemos à mulher. Como se chama? Vai a algum lugar? Foge de alguma coisa, alguém? Ou é simplesmente uma mulher, a dirigir um carro, como sua própria vida, segura de seus caminhos, resoluta. O cenário se repete como uma imagem em looping, não há figurantes, cenário alternativos, árvores, pedras, pássaros. Somente o carro, a mulher, o céu azul, a estrada e os cabelos, ao vento. A velocidade aumenta a sensação de liberdade e o sentimento de poder, é um quase voar. Voar no tempo presente.

Corta a cena. Voltemos ao hoje, o aqui e agora, não mais o nowhere, mas o now here. (insight de um amigo)

Não me perguntes aonde vou,
o que sentirei amanhã,
se serei gorda ou magra,
o que vestirei ou comerei,
Certezas?
Poucas.
Meu nome, gênero e naturalidade.
Certezas pesam e não quero bagagem,
decidi viajar leve,
levar somente os desejos do momento,
o sim do agora,
o querer do aqui.
Planos? Sim, vários...
Com orientações e mapas,
Todos flexíveis!
A rota é alterada sempre que for necessária.
Felicidade do momento presente.

* P.S. - Reeditado, simplesmente, pela pura vontade de sentir o vento...

segunda-feira, junho 28, 2010

Eu sou *

Há momentos que sinto o amor tão forte, 
mas tão forte, que amo tudo, as árvores, 
o poste, a brisa, a pedra. 
Me enlevo com a simples sombra, 
com o tremular da folha, com o inseto que voa. 
Busco os detalhes a minha volta e suspiro. 
Nesses momentos uma felicidade imensa me invade, felicidade de vida, de comunhão. 
Fico leve que nem nuvem, tão leve que suspiro fundo o céu. 
Nesses momentos tenho um sentimento maternal pelo mundo, me sinto meio mãe da terra, 
do planeta, com todas as obrigações 
de mãe... acalentar, alimentar, proteger... 
Sou tão mãe que me acalmo, a paz da 
serenidade materna. 
Nesse momento tão único, 
completo e breve, eu vejo, percebo, perdôo, pertenço e entendo. 
Nesse momento Eu Sou!


* - Momento de estar sendo!!!



terça-feira, abril 27, 2010

Esquizofrenia

De tempos em tempos me deparo com os meus vários eus. Me dei conta, que não gosto muito deles. Como conviver com esses múltiplos de mim?

Talvez não tenha, e eu possa cometer um assassinato em série. Pra que me serve meu eu autoritário, o tirano, o controlador, o crítico exacerbado, o vaidoso?

Algumas vezes percebo que conspiram as minhas costas, e tentam me sabotar... E, eu, ingênua que sou caio na armadilha! Me pego frustrada, sorumbática, me critico, fico mal, quando na verdade, não sou eu, sou eu refém deles. Por isso, às vezes quando olho no espelho..., não sou eu..., é o outro de mim que me olha.

Deus, terei cura?