quarta-feira, junho 15, 2011

Ecos do tempo

estendo o braço numa tentativa cega de tocar a superfície fria e branca da gota translúcida, tarde, a gota se esvai como o éter que desaparece, vejo seus olhos, não mais que seus olhos, esses me sorriem através do tempo, não vá, ainda peço, mas são ecos de um pedido negado, a fronteira do tempo para sempre irrompida, os acordes trazem a dor escura de mais uma noite sem lua, estrelas que nada dizem, cúmplices da música que ecoa a  minha volta e me veste como num ritual de morte.



10 comentários:

valeria soares disse...

A morte nos despe! É a vida que procuro nos vestir e proteger.


"Então vamos pra vida!"

Júlio Machado disse...

... Queria te ver só mais uma vez; e mais e mais; infinitamente te ver. Mas...
Abraços!!

Bípede Falante disse...

Patrícia, que denso esse eco. Sufoca, penetra até os ossos de cada palavra.
beijos

Patrícia Gonçalves disse...

Valeria, as vezes, a música casa tão bem com o sentimento, e a música penetra, rasga tal faca e a dor é tão sutil, que cobre e não despe, mesmo que a nudez seja cheia de vida.

beijos

Patrícia Gonçalves disse...

Júlio, é isso mesmo, a mensagem é essa, "quero te ver mais uma vez... e sem mas", somente ver...

abraços!

Patrícia Gonçalves disse...

Bípede, ecos, ecos do tempo, ecos de um momento,ecos... interessante, como lembranças a reverberar no vazio.

beijos querida

carmen silvia presotto disse...

Trago a música Eco de Jorge Drexler para aqui conversar, lembrei dela ao te ler Patrícia.

Eco
Jorge Drexler
Composição : Jorge Drexler

Esto que estás oyendo
ya no soy yo,
es el eco, del eco, del eco
de un sentimiento;
su luz fugaz
alumbrando desde otro tiempo,
una hoja lejana que lleva y que trae el viento.

Yo, sin embargo,
siento que estás aquí,
desafiando las leyes del tiempo
y de la distancia.
Sutil, quizás,
tan real como una fragancia:
un brevísimo lapso de estado de gracia.

Eco, eco
ocupando de a poco el espacio
de mi abrazo hueco…..

Esto que canto ahora,
continuará
derivando latente en el éter,
eternamente….
inerte, así,
a la espera de aquel oyente
que despierte a su eco de siglos de bella durmiente..

Eco, eco
ocupando de a poco el espacio
de mi abrazo hueco…..

Esto que estás oyendo
ya no soy yo…

Beijos,
Carmen.

Helcio Maia disse...

Patrícia, esse "ver novamente" é adversativo mesmo, ou seja, o "mas" acontece, ele pinta de uma forma ou de outra, pois o ato de ver vem depois de uma emoção e antes de outra. E a segunda (emoção) só se mostra depois.

Alicia disse...

Estrelas que nada dizem...
são estrelas sem brilho.

Ainda que pareçam brilhar...

Quantas há!

Sam disse...

quando estendo a mão na tentativa de estancar a ferida
repuxa um outro lado, fazendo sangrandar o coração que range os dentos
através do tempo.

Meu carinho, patricia.
Saudades
Samara Bassi