Quando compartilho dor, amor, vida, tudo, tudo deixa de ser somente meu, pois você se apropria de mim, de minhas vontades, meus quereres, das dores. Sou eu em palavra lida, sentida. A cada verso ou frase, me abro como em flor de papel. E, é tão real, que na ponta do dedo me tens. Se esticar um pouco mais o braço, verá, você toca minha alma.
P.S - Houve um tempo que eu sentia com tamanha intensidade que doía, não no outro, mais em mim mesma. Que bom que os tempos passaram e com a maturidade veio uma calmaria boa, de quem pode sentir muito e se arrebatar, mesmo, sem se arrebentar, o principal.
Beijo grande a Linda Lua Nova que ao compartilhar vida conosco, deixa um pouco do seu brilho de lua em nós!
sexta-feira, outubro 29, 2010
segunda-feira, outubro 25, 2010
EASY
É mais fácil o não compreender
dá trabalho a aceitação
A diferença pressupõe um olhar claro
Queremos todos estar alinhados
de mãos dadas
igual palitos de fósforos
queimados
Foto: Olhares/ChacalDiferente
dá trabalho a aceitaçãoA diferença pressupõe um olhar claro
sobre o eu questionando condutas
comparando valores
Não queremos uma régua
a medir os pontos fora da curvaQueremos todos estar alinhados
de mãos dadas
igual palitos de fósforos
queimados
Foto: Olhares/ChacalDiferente
domingo, outubro 24, 2010
Diário de bordo
Algumas vezes nos pegamos caminhando rápido, sem tempo para olhar os detalhes, sem tempo para dar atenção às coisas importantes e somos chamados, nosso corpo, o universo, a familia... Nesse momento temos que parar, olhar com atenção, ouvir e então perceber a mensagem. Estava caminhando tão rápido que não estava dando a devida atenção ao meu corpo, a minha saúde. O mais temeroso, meu corpo e minha saúde sou eu!!! Não estava dando a devida atenção a mim. Somos atropelados e atropelamos. Atropelamos momentos, pessoas, nós mesmos e nos perdemos... O processo de resgate é difícil, começa com esvaziar as gavetas, liberar com cuidado todas as dores, se livrar do passado e permitir que o novo se faça. Pois bem, percebi o chamado. Iniciei mudando minha alimentação, percebi que precisava desintoxicar meu corpo, colocar alimentos mais saudáveis, voltar a praticar esportes. Em um mês perdi cinco quilos, estou mais leve não só no corpo como também no espírito. É mais ou menos como no filme comer, rezar e amar, só que tudo ao mesmo tempo e agora. Precisamos ter um momento para conversar, se não for com Deus caso não acredite nele, então com você mesmo, ouvir seu interior, seus sentimentos mais profundos, ouvir seu silêncio. Essa tem sido minha reza, minha comunhão com uma sintonia mais sutil, isso me preenche e acalma.
Quanto ao amor, nesse caminho de perder os quilos, comer alimentos saudáveis, praticar esportes, comecei a olhar de forma diferente para um outro eu, comecei a perceber a beleza de ser, simplesmente ser, assim ando enamorada, muito enamorada de mim mesma.
P.S - Deixo um beijo querido e carinhoso a todos, nesse processo há ainda uma questão a ser trabalhada, o trabalho! Excesso dele, por isso a ausência no blog! Bom domingo pessoal!
Quanto ao amor, nesse caminho de perder os quilos, comer alimentos saudáveis, praticar esportes, comecei a olhar de forma diferente para um outro eu, comecei a perceber a beleza de ser, simplesmente ser, assim ando enamorada, muito enamorada de mim mesma.
P.S - Deixo um beijo querido e carinhoso a todos, nesse processo há ainda uma questão a ser trabalhada, o trabalho! Excesso dele, por isso a ausência no blog! Bom domingo pessoal!
domingo, outubro 03, 2010
Liberta
A luz entrava calma pela janela, caminhou até o móvel antigo e abriu a primeira gaveta. Gentilmente, abriu caixa por caixa tendo o meticuloso trabalho de desembrulhar o papel de seda, sem rasgar. E, num corajoso ato de alforria, uma a uma foi libertando, no revoar, saíram aladas pela janela todas as dores. Feliz com o gesto e consigo mesma, sorriu, caminhou até o espelho, penteou o cabelo e saiu para a manhã que a aguardava.
sábado, outubro 02, 2010
Caminhos
"Precisamos nos liberar de todas as dores, remorsos, culpas, tudo, tudo...., assim, haverá espaço para novos sentimentos". Quando Neil Young entra cantando, me dou conta que tenho dores guardadas, trancadas lá dentro. Apesar dos anos, elas ainda se encontram lá. Me pergunto o por quê, alguém poderia dizer que é para ocupar o lugar do que se foi, não sei. Mas, chorei, chorei ao me dar conta que olhar de perto essas dores ainda dói. Como bom desportista, se caio, não lamento, levanto, limpo a poeira e continuo andando. Talvez, seja esse o problema, ao me fazer de forte eu tenha trancado tão fundo as dores que agora elas estão lá ocupando espaços e eu sem saber como curá-las. Pensei que o tempo, o bom e velho amigo tempo, que tudo cura já houvesse agido. No entanto, bastou uma música e a tampa abriu e as dores voaram a minha volta. Por que guardar dores? Inicialmente, parece um passatempo mórbido, preservar restos de algo morto. Abrir uma gaveta e olhar parte de seu passado, como em um álbum de fotografias, ao invés de fotos, você toca sentimentos que machucam, páginas que se recusam em ser viradas. Talvez o exercício seja, justamente esse, olhar cada dor bem de perto, como espécime de bicho esquisito, tocar, cheirar, sentir e então deixar ir. Aprendi que para reduzir o sofrimento devemos evitar a resistência, então neste caso aqui suponho que preciso aceitar como natural e ao olhar o bicho esquisito é normal sentir dor. Aprender é a palavra, tudo tem seu tempo, tempo de cura e tempo de criar espaços, passos gentis no caminho que trilha, "o caminho vai se fazendo ao caminhar"... Já disse algum profeta, sábio ou bêbado perdido na noite.
P.S - A música é a do filme " Comer, rezar e amar", Harvest Moon com o Neil Young. O filme é lento, bobo, o personagem brasileiro é horrível, mas as cenas são bonitas.
P.S - A música é a do filme " Comer, rezar e amar", Harvest Moon com o Neil Young. O filme é lento, bobo, o personagem brasileiro é horrível, mas as cenas são bonitas.
quarta-feira, setembro 29, 2010
Reflexo dos astros
Talvez como fantasmas, emoções, imagens, sou perseguida, não sei bem, o sentimento é confuso....As palavras se foram ou talvez a conexão com o sentido, essas perambulam soltas sem se importar em ser ou representar... palavras sem sentido. Ao invés de escrever o que me vai na alma, acho melhor escrever sobre o poder do sol, que se dane a falta de sentido temporário ou a irritação passageira. O sol sempre brilha, o céu é sempre azul apesar das nuvens, há sempre manhãs com o seu frescor. Que eu possa me impregnar desse sentido bonito da vida e espantar o desconforto sem sentido da alma! Talvez os astros expliquem, preciso ver meus trânsitos. O exercício é me ausentar de mim e olhar, talvez neste esforço eu consiga perceber as peças soltas e montar um lindo mosaico!
P.S - Bom dia a todos, peço desculpas pelas ausências, mas ando meio sumida, sumida também de mim... Beijos e adoro todos vocês!
P.S - Bom dia a todos, peço desculpas pelas ausências, mas ando meio sumida, sumida também de mim... Beijos e adoro todos vocês!
quinta-feira, setembro 23, 2010
Viagem
Sou eu a correr mundo, a voar com os ares
nuvem negra poeira do cosmos
contra a ampulheta que marca
a ausência de um abrigo
corro, corro, corro
busco orientação muda dos astros
voe mais alto - aconselham as estrelas
no espelho alguém do futuro me olha
um viajante recolhe rastros no infinito
contudo, os signos nada revelam
a areia do tempo tampouco - balbuciam os seixos
no caminho trilhado
![]() |
| Foto: Gustavo Longo/ br.olhares.com |
as marcas se foram na impermanência das horas
o vento, perdeu-se no mistério da tarde
a brisa que agita o cabelo nada me diz
no não dito do silêncio o segredo continua intocado
cansado das tantas longas histórias
navegante do tempo, das horas e sentidos
chora o corpo o descanso das almas benditas
não pode parar - avisa o tempo
como bom peregrino aguardo
calado a espera serena de um trem fantasma
a estação que se aproxima
ainda não é a minha...
domingo, setembro 19, 2010
Uma tarde no hospital
- De um a dez qual a nota pra sua dor? Pergunta uma estagiária de enfermagem.
- Não tenho dor, informo já exasperada. Tenho sim, um desconforto na alma e no corpo. Tem aí nota pra desconforto ou falta de bem estar?
- Não, ela ri.
- É então para eu mentir? Pergunto meio morta, depois de duas noites sem dormir, somente tossindo.
Ela balança a cabeça e me dá uma pulseira amarela.
Olho no quadro o arco íris em dores!!! Azul morre na espera, foi ao hospital somente pra passear; verde, deve estar doendo em algum lugar bem pouquinho, feito mordida de formiga; pulseira amarela é pra quem está sentindo uma dor média, corpo metade na geladeira metade no forno. Sempre gostei desta frase de economista, um corpo pode ter a temperatura média e estar morto! Média não diz nada, assim usemos a mediana! Voltando ao assunto, falta a dor laranja e a vermelha, que é de quem já deve estar morrendo! A enfermeira simpática me manda para a sala amarela, uma graça, a cor do quarto combina com a pulseira. Não achei o quarto laranja nem vermelho...estranho...
Fiquei umas duas horas naquela sala, alguns pacientes pareciam estar bem piores, do tipo laranja. Conheci uma senhora simpática, com pneumonia grave, adorava chopp e boemia (não é a cerveja), gostava de samba, era da velha guarda. Uma outra senhorinha parecia uma menininha, com pena dos médicos, coitados, das enfermeiras, coitadas, só não tinha pena dela que estava ali desde às nove horas da manhã, isso já era umas 4 horas da tarde.
Tirei um cochilo, acordei e pensei que estava na hora de ser atendida. Fui pro corredor para pescar um médico. Simplesmente havia três ou quatro médicos para umas trinta pessoas!!! Fui segura na minha abordagem, já aprendi, paciente não pode nunca ser coitado, fale com o médico como se fosse médico, não demonstre ter respeito pelo parco conhecimento de medicina dele!!!Questione tudo!!!! Pois bem, não sei se fui chata demais com esse médico, mas ele me isolou, me tirou da sala amarela, me deu uma máscara e me colocou em um corredor distante de todos os outros pacientes. Disse que eu estava com suspeita de gripe suína, único vírus capaz de fazer aquele estrago em minha ausculta. Incrédula e rindo muito perguntei se ele estava falando sério. Não é que estava! Informei que minha filhinha estava com a virose e que havia apanhado do pai, a essa altura o médico me olhava espantado pensando, provavelmente, em uma pandemia de gripe suína!
Fiquei 5 horas dentro daquele hospital, ao final, meu pulmão estava lindo, só de saber-me com suspeita de gripe suína, curei-me! A médica que me atendeu tinha menos de 25 anos, como todos os outro médicos! Pelo menos sai do hospital viva e com um diagnóstico não tão mal assim, uma crise de traqueobronquite aguda e prescrição de antibiótico!
Na saída perguntaram se eu trabalhava no hospital, sempre acham que sou médica, deve ser minha postura altiva de quem sabe tudo e nada, coisa de médico!!!
sexta-feira, setembro 10, 2010
Ataque e delírios
Fomos atacados, assim, vieram por todos os lados, fizeram todo um planejamento, nos pegaram desprevenidos e entraram! Estamos há quatro dias com uma baita gripe, não consigo dormir há 3 noites, tenho pesadelos, delírios da febre com trabalho, deliro com empresas e núcleos de inovação. A noite passada havia um relógio onde os ponteiros rodavam continuamente, a cada tosse uma empresa entrava no relógio, essa noite foi a bendita palavra inovação. Cara, por que não posso delirar com comida, sexo, viagens, ou então com anjos? Passar a noite toda presa em um espaço tempo circunscrito em uma palavra é pirante. Acho que esses vírus novos estão cada vez mais poderosos, a raça humana que se cuide ou então será vencida pelo vírus da gripe!
segunda-feira, setembro 06, 2010
Cortinas de Organza
Na escuridão me conforto
na gaveta fechada
entre folhas de seda
o intocado guardado
vida inteira
bem dobrada
preservada
da vida
Choro medos antigos
emoções esvoaçantes
na janela voam sonhos
feitos de cortina de organza
Hoje fui visitar o Céu Aberto e me deparei com um texto lindo, lindo da Walkyria, Tempo e Duração, que fala de vida, lembranças e desejos.
Chorei horrores, ando muito emotiva. Quando voltei, tinha sentimento no peito querendo virar palavra.
Assim, dedico esses versos a minha querida amiga Wal, mulher porreta que me emociona profundamente!
na gaveta fechada
entre folhas de seda
o intocado guardado
vida inteira
bem dobrada
preservada
da vida
Choro medos antigos
emoções esvoaçantes
na janela voam sonhos
feitos de cortina de organza
![]() |
| Foto: Walkyria, Céu Aberto |
Chorei horrores, ando muito emotiva. Quando voltei, tinha sentimento no peito querendo virar palavra.
Assim, dedico esses versos a minha querida amiga Wal, mulher porreta que me emociona profundamente!
quinta-feira, setembro 02, 2010
Partícula dos sentidos*
[ Reverbera em mim sonhos
uma praia azul
areias de pedras flutuantes
Reverbera em mim
o silêncio, de sentidos espiralados
reverbera em mim a loucura do encontro
reflexo da imagem reversa
o ar que infla e invade as entranhas
não reverbera
faltoso
penetra e sufoca meu eco ]
[ Enquanto me dispo
tu me olhas
olhar de pedra
na praia escura
a caravana segue
caminho contrário às ondas
manchas...
que cobrem meus pés ]
a lua de um quarto só
não ilumina
esconde
não ilumina
esconde
uma mulher que se prende
se perde
e se entrega...]
se perde
e se entrega...]
[ a outra metade
não é a metade de mim
se perdeu entre cores
desconstrução retilínea
de formas e irrisíveis amores
a outra metade jaz ]
* - Inspiração, que nem texto psicografado, da pena saem palavras, marcham enfileiradas e formam versos, independentes do meu querer, surgem de forma mágica ante as lindas imagens do Sr. do Vale
terça-feira, agosto 31, 2010
A incapacidade de ver
Desde sempre soube que estamos aqui por uma razão especifica, minha maior angústia era o medo de passar pela vida e não dar conta desta missão, perder o caminho.
Assim, tenho como tarefa contínua, buscar, busco significados, desenvolvimento, me busco. A percepção é que está muito perto, plausível de ser tocado. É como se esticando minha mão eu pudesse tocar e sentir, como manifestação de vida. Mas, para isso é necessário algo mais, uma compreensão maior, ter sentidos outros para ver e ouvir. É como se tudo fosse invisível e eu impossibilitada de ver. Então minha busca seria o desenvolver desses sentidos que permitiria acessar o tão perto.
Assim, continuo, buscando, e no caminho somos responsáveis por tanta coisa, há tanto trabalho a fazer. Mas, nesta busca que chamo vida, não podemos esquecer o principal, o compromisso com o nosso eu, de sermos felizes. O resto é detalhe, simples detalhe, deveríamos nos ater ao que realmente importa. Tenho pensado que poder esticar a mão e tocar depende e muito de um estado de ser feliz. Neste estado teríamos a sabedoria, sabedoria de quem vive uma felicidade continuada.
Agora, neste exato instante, o que lhe falta para ser feliz? Responda, mas se pensar bem, bem mesmo, verá que nada. Isso mesmo, nada. Se está à frente de um computador, poderia dizer uma banda larga, uma tela maior, um programa tal. Tirando isso, nada importa nesse instante para sermos felizes. Assim, não precisamos de mais nada nesse agora para ser feliz. Então por que não nos damos conta disso e vivemos em um estado de felicidade contínua? Por que somos insatisfeitos e infelizes?
Acredito piamente que é por não conseguir dar conta do momento. Dar conta de nossa existência em cada momento. Lavando a louça, fazendo um trabalho, qualquer tarefa. O nosso existir em cada segundo, a nossa conexão direta com o nosso eu.
Por alguns instantes sou feliz, sinto uma felicidade suprema, mas esta não se sustenta ou eu não sustento o estado, sou atropelada por um telefonema, a decisão contrária do chefe, erro de alguém da equipe, fechada de um taxi no transito. E, aí, perco toda a sabedoria daquele instante. Mas, realmente, essas coisas importam tanto assim? Merecem tirar nossa paz de espírito? Minha paz de espírito?
Essa reflexão é minha. Sou um ser estressado que xinga no trânsito e irrita-se facilmente. Qual a dificuldade de manter a fleugma? Por que a necessidade de xingar, dizer palavras ásperas, de defender território como se fosse guerra? Estamos fazendo tudo errado, eu estou fazendo tudo errado.
Quero o frescor das manhãs tranqüilas, o calor de um abraço amigo, a calma das tardes sombrias, a paz do momento. Por isso digo, está tudo a minha volta, na distância de uma mão que estende e ainda sim não toco.
domingo, agosto 29, 2010
Universo - Sem Serviço de SAC
Cuidado com o que pedes ao universo, desde que o universo contratou uma consultoria e adotou o modelo de excelência em gestão as coisas estão meio perigosas. “Peça e será atendido” continua a frase lema, o serviço de SAC deles nunca recebeu tantos elogios ou no meu caso, reclamação.
Desde que saiu o livro "O Segredo" e todo mundo descobriu a tal da famosa lei da atração a demanda explodiu. Está todo mundo querendo ficar milionário, famoso, lindo, as mulheres também, mas sem celulite e com marido. Não necessariamente nesta ordem, algumas querem o marido antes, sem perder a celulite!
Deixa eu explicar porque no meu caso tem reclamação, minhas vontades são mutantes, sabe, do tipo quer amarelo hoje, amanhã azul, até passar por todas as cores do arco-íris. E, tem outra coisa, eu peço sem refinar muito o pedido. Já percebi que a solicitação deve ser muito bem especificada, como cor, altura, tamanho, mundo real ou virtual, até endereço você precisa deixar claro!
Quando me separei, chorava, chorava, querendo meu ex-marido de volta. Afinal, foram 18 anos de casamento! Assim, lá pra eles (Universo) apareceu um pedido de Leonardo pra mim. Pois bem , eles atenderam, mandaram 3 Leonardos!!! Namorei os três, nenhum deles meu ex-marido!
Em outro momento queria ficar milionária, meu desejo era ganhar na mega sena! Recebi dezenas de emails me informando que eu havia sido sorteada em uma mega sena do planeta, havia ficado milionária! Até carta daqueles refugiados da África eu recebi, trocando milhões pelo número da minha conta bancaria! Virtualmente eu havia ficado milionária! Milhões e milhões, eu ria da brincadeira!
Fiquei com vontade me de casar de novo, sei lá, de repente a gente fica meio maluca, isso acontece. Não deu outra, apareceu o pretendente assim, do nada! O problema é que ele queria casar e já, não queria seguir o processo natural de conhecer, vamos ver o que vai dar..., queria casar, aí não deu... Eu não queria casar agora!
Assim, temos que ter cuidado com o que pedimos, tenho mais exemplos, mas ficaria longo, e também, tenho medo de chamar atenção do universo! Vai que ele pára de me atender. Melhor assim que nada! Somente tenho que aprender a especificar o que quero e como quero. E vocês, sabem efetivamente o que querem e como querem? Ou o universo vai entregar o pedido errado também?!
Beijos dominicais!
terça-feira, agosto 24, 2010
Nossa busca no outro*
Esse mundo virtual é um prato perfeito para vivermos todos os personagens possíveis e imagináveis, aqui somos belos, altos, magros, íntegros etc. Escolhemos a melhor vida, a mais atraente, acrescentamos qualidades, diminuímos defeitos e..., estamos prontos! Produto acabado muito melhor que o fabricado por Deus.
Talvez, seja a promessa de sermos melhores, de termos vida mais interessante, de fazermos coisas diferentes, é a promessa de se recriar. Não é incrível, quanta porta, sonhos, economia de anos de análise essa telinha proporciona.
Realmente, que paradoxo, criamos nosso real perfeito no virtual. O único problema é que em algum momento teremos que transferir a perfeição para o real. Até lá prevalece a opção de ser você/real ou estender um pouco mais a novela criada.
Aqui podemos ser lindos e maravilhosos, não importa se não correspondemos aos ideais de beleza, porque estamos no plano virtual. Que se dane meus três olhos ou minhas verrugas ou qualquer outra coisa. A ausência de barreiras também facilita, pois cria um processo de intimidade gritante, em questão de horas se fica extremamente intimo de um inteiro desconhecido, e como, em um ato de confissão nos revelamos inteiramente, sem pudor.
Nosso interesse é limitado ao nosso discurso. A única coisa que importa aqui são as palavras, nos construimos com as palavras, sou o que escrevo e como me expresso. Não importa, se não me encaixo em padrões sociais, de qualquer ordem. Aqui, um deslize meu ou seu e o encanto (curiosidade ou/e interesse pelo mistério) desaparece. A possibilidade de desvendar ou construir o outro pelas palavras se apresenta como uma oportunidade altamente tentadora. O outro vai se descortinando aos poucos, fica na construção do idealizado. O outro é o que idealizo, na possibilidade do vir a ser.
O que nos move? Na verdade, o que nos move é a nossa eterna busca por nós mesmos. A busca pelo outro se revela efetivamente interessante, a partir do momento que o que nos fascina no outro é a nossa semelhança, a possibilidade do nosso reencontro. Que louco não, nos interessarmos por nós mesmos, enquanto no outro. Por que será que precisamos de referências externas, por que precisamos de espelhos? É meio narcisita não? Gostar do outro quando o outro se revela tão próximo de minha imagem.
O problema é a transferência para o real, as pessoas criam um mundo perfeito no virtual, relações perfeitas e tentam reproduzi-los no real. É complicado, mas como somos otimistas irrecuperáveis, acreditamos, bem lá no fundinho, que conseguiremos de alguma forma, criar o mundo perfeito, encontrar o amigo perfeito, um amante perfeito ou no melhor dos mundos nossa alma gêmea. Agora, isso já é assunto para outro post.
* - Reeditado. Peço desculpas pela ausência de textos, sinto muitas saudades de todos, sinto saudade de lê-los, de visitá-los, quando finalmente coloco as crianças pra dormir eu caio no sono com elas e não consigo entrar no blog. Um beijo grande a todos!
sábado, agosto 14, 2010
Tarde em mim
À parte de mim
busco o que me causa espanto
a serenidade do mundo
perdida em uma tarde remota
onde todas as vozes são silêncio
onde a pedra é uma pedra
e a sombra uma sombra
quando o último pedido, é o esperar calmo
da morte do dia
o sol se pondo sobre as montanhas
repetindo o mesmo ritual de tantos outros dias
à parte de mim
busco a paz do chorão tranquilo
que chora mansinho sobre o riacho
o existir plácido das horas que findam
nas folhas da tarde
e morrem no último adeus
sexta-feira, agosto 13, 2010
Nuvens
[...Você é sol
Quando sou nuvem
você chove...]
[...nuvem que passa
não brancas nuvens
ou nuvem passageira
ser passageira, nas nuvens...]
P.S - Meus queridíssimos, não estou tendo tempo de visitá-los, mas gostaria de dizer o quão emocionada fico com todos os comentários carinhosos. Nessas manhãs frias, dias de muito estresse, as palavras de vocês me envolvem que nem cobertor, desejo de ficar aninhada entre elas. A cada dia me surpreendo mais com o carinho, atenção, amor e vida distribuídos aqui nesse espaço. Um grande beijo em todos!
terça-feira, agosto 10, 2010
A surpresa do sentir compartilhado
A manhã que me sorri, é a mesma manhã que foi lhe dar bom dia. Abrimos os braços para os mesmos raios de sol. Nosso sentir é compartilhado, o sentir é sempre o mesmo, mas a forma do sentir pensava eu ser única, e agora vejo que não, visito cantos onde reconheço palavras, sonhos e temores.
Minhas buscas, já foram suas ou serão de outros, nossos caminhos se cruzam, na poeira do tempo, do acaso, coincidências ou não...
Mas, a certeza de estarmos de mãos dadas caminhando juntos.
Minhas buscas, já foram suas ou serão de outros, nossos caminhos se cruzam, na poeira do tempo, do acaso, coincidências ou não...
Mas, a certeza de estarmos de mãos dadas caminhando juntos.
domingo, agosto 08, 2010
Dias genéricos
Estava cansada da morte, decidiu que haveria de viver, sua opção era a vida. Viveu fundo a morte, foi triste, foi trágico, agora que acabou pensou em como viver. Primeiro viveu o luto, no inicio tentou negá-lo até que chegou tão fundo que sangrou, sangrou todas as dores, doeu fundo a solidão, a ausência. Talvez, lá no fundo houvesse um desejo de morte, mas se descobriu viva. Aí, teve medo da morte ser contagiosa, fez todos os exames, doía todos os órgãos, morria de medo do fígado e depois o intestino. Tanto procurou que descobriu hemangiomas, cistos e um puta medo de viver só. Estava só, ele havia ido embora, partido, todos aqueles meses, médicos, hospitais, cirurgias, e agora nada. Descobriu que não tinha nada, nada, nada que pudesse preencher, dar conta daquela ausência, se deu conta que a única coisa que tinha era seu próprio sentimento. O sentimento do outro fica com outro, o que nos alegra na relação é o saber amada. Assim, se deu conta de que estava só, e naquele momento a dor se fez mais forte. Não queria saber do seu amor, não queria sabê-lo presente. Tempos difíceis. Ainda bem, que o tempo passa, as estações passam e mudam as folhas, o céu fica mais azul e o sol tem o poder de nos aquecer. Hoje quando olha o ontem, ainda é visitada por um certo tipo dor, na verdade, não bem uma dor, uma saudade incômoda. Mas, quando se olha no espelho se vê mais forte, mais feliz e crescida. Mudou, tornou-se mais generosa, solidária, compreendeu o valor do tempo presente, do agora, o valor do eu te amo, do carinho. Ao longo do caminho as folhas caem, hoje os passos são mais silenciosos, a água do riacho corre e a brisa é fresca. Assim, quando é visitada por essas lembranças, abre as janelas do coração, deixa o sol entrar e aquecer tudo, o azul inunda, o verde cura e nesses momentos ela agradece a Deus pela vida, tão linda e tão preociosa.
P.S - Feliz dias dos pais!
quinta-feira, agosto 05, 2010
Relógio
Deslizo a mão suavemente pela textura vaga dos dias
o andar calmo a pretender silêncios outros
olho displicentemente o mundo
com a paciência de quem já viveu
todas as dores
o relógio não marca vida vivida
somente as horas
terça-feira, agosto 03, 2010
Silêncio
a pena pesa a mão e enfraquece a escrita
a dor de uma alma agonizante reverbera entre as paredes
não se ouve o grito do vazio
o silencio escuro invade a tarde, rasgando a retina
preenche pele, poros, e uma velha carne pelo tempo amortecida
sou silencio surdo, mais que ausência de palavras
no espelho, a dor não reflete
aflige um corpo sem memória
em algum lugar uma gota seca em cair insiste
uma fumaça de cigarro no ar tremula
e uma ferida sangra dias não vividos
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