terça-feira, junho 29, 2010

Amor inventado

Quisera ser amor
como amor pudera
haver pretendido

Minh´alma chora
ausência nunca existida
posto lugar, espaço
nunca se quer ocorrido

A árvore chora folhas secas
que leva o vento 
o inverno perdido

Teus olhos me encontram
e dizem um tudo
em mudas palavras

Tuas mãos me buscam
no acaso
de gestos cegos

Sinto uma falta calada
de diálogos jamais conversados
de um tempo nunca vivido...


19 comentários:

António Amaral Tavares disse...

Os versos da última estrofe deste poema são afinal uma aproximação à definição de saudade. É danado cavar um buraco assim.
Abraços

António

Valéria Sorohan disse...

Que o desatino do desencontro-reencontro, da diluição-fusão culmine em sublime atração.

BeijooO*

nas entrelínguas disse...

E o que mais fazemos nós, além de inventar e reinventar a realidade?!

Sylvia Araujo disse...

É, Patrícia, é de amor que a gente fala e dele nunca dá pra fugir, né? Tem jeito não: do que foi e não é, do que é sem nunca ter sido, do que ainda vai ser - ttalvez, quem sabe - só nos restam as folhas, outono-inverno, bailarinas das nossas estações.

Ah, adorei a textura das cores do template novo. É quente, é vivo!

Beijo gigante, flor!

Marcio Nicolau disse...

Faço minhas as palavras do Antonio Amaral Tavares.

(E obrigadíssimo, Patrícia, por se fazer presente.)

Bípede Falante disse...

Falta calada dói tanto.

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

"Sinto uma falta calada
de diálogos jamais conversados
de um tempo nunca vivido..."

Essa necessidade de viver algo que ainda vai acontecer é tão forte quando idealizamos. Suas palavras são densas e transmitem reais emoções.

Beijo imenso, menina linda.

Rebeca

-

Celso Japiassu disse...

Patricia:

Seus poemas são muito bons, escritos por quem conhece o sentido oculto das palavras. Gostei muito do seu blog, vou passar sempre por aqui.

Sarah Slowaska disse...

"Minh´alma chora
ausência nunca existida
posto lugar, espaço
nunca se quer ocorrido"

A tua e a minha.

Coisa mais triste, mais linda. Acho que a tristeza possui uma beleza inigualável.

Beijos querida!

Saulo Taveira disse...

O amor desequilibra os sentidos aguçando-os.

Patrícia Gonçalves disse...

Antonio, põe danado nisso!!! buraco sem fim!

beijo

Patrícia Gonçalves disse...

Valéria, atração era, e muita....

beijão

Patrícia Gonçalves disse...

Juliano, nós inventamos e reinventamos a realidade para tentar fugir dos sonhos!

Patrícia Gonçalves disse...

Sylvia, concordo, dá pra fugir não, como disse somente nos restam as folhas..., talvez arrancadas de uma história, sem título, sem personagens, que nunca será contada!

Também amei tudo colorido! É a minha cara!!!

beijão lindona

Patrícia Gonçalves disse...

Ah, bípede, e como dói.....

Patrícia Gonçalves disse...

Oi Rebeca, obrigada, querida, as emoções foram reais!

beijão grande!

Patrícia Gonçalves disse...

Oi Celso, bom te ver aqui!!!

Obrigada e volte sempre!!!

beijão

Patrícia Gonçalves disse...

Oi, Sarah, linda, realmente a tristeza cobre tudo com um manto de infinita beleza. Também, né, tem que compensar, já pensou se a tristeza além de tudo fosse feia? rsrs

beijão

Patrícia Gonçalves disse...

Saulo, será que o amor desequilibra ou equilibra? sentidos aguçados ou obliterados?

não sei.....