sexta-feira, julho 02, 2010

Anoitece *

tardes melancólicas
mesmo o vento é silencioso
a sombra nas folhagens traduz uma tristeza
que perpassa o vazio entre os galhos
e se mistura aos últimos raios de sol
momento etéreo
entre a sombra fria
e o sol, que ainda ilumina
o céu de um azul profundo
se mostra límpido
o olhar através da janela mostra
o fim do dia...
os carros passando...
lembrando lhe a solidão
sua condição de ser perdido
das tardes da vida
quando a noite cai
e você fica só


* Reeditado - Durante muito tempo cultivei uma solidão inóspita, cultivei não, me habitava, me invadia, era sua hospedeira. Com o tempo e, também, pós várias terapias, de origens diversas, ela se modificou, de invasor passou a ser companheira. Agora, não estou mais só, virou uma leve nostalgia, um suspiro fundo que carrego no peito, andamos de mãos dadas e a afago quando se entristece.


17 comentários:

Helcio Maia disse...

Que linda imagem, Patrícia!! Afagar a solidão, acompanhá-la, para que ela não fique tão só.
A melhor terapia é receber a vida, todas as manhãs, respirá-la, celebrar a sobrevivência de tudo que é belo, abraçar o ar que respiramos e, sobretudo, aprendermos, continuamente, a amar, intransitivamente.
Bom dia e obrigado pela inspiração que oferece a todos nós.

nas entrelínguas disse...

Anoitece...
e o sol se esguia...
noite adentro...
vida afora...
insólita poesia!

Bjão pra ti guria =)

Marcio Nicolau disse...

Recordou-me poema musicado da Adriana Calcanhotto:

"Cai a tarde
Como sempre
Como sempre
Diferente
Cai a tarde
De onde não se sabe
Pela Farme
Sobre a gente
Cai a tarde
Sem parar
Cai a tarde
E tudo parda
Cai a tarde
Meu amor rega as plantas
Cai a tarde
A tarde toda
Na velocidade da luz
Cai a tarde
Que é seu fim
Cai a tarde
Que é sem fim?
Cai a tarde
Em sua finalidade
Cai a tarde
Cai a tarde"

(Sobre a tarde)

Patrícia, sou seu fã.

Juan Moravagine Carneiro disse...

Belíssimo...

Abraços

Lara Amaral disse...

Entendo bem dessa melancolia, melhor companhia dos poetas.

Lindo poema, como sempre, Patrícia.

Beijos.

Valéria Sorohan disse...

Que linda forma de falar da solidão. Se não existisse, você a criaria em versos!!!

BeijooO*

Alessandra disse...

Você não fica só...
Quando conseguimos verdadeiramente enxergar a sua alma e descobrir a sua essência não conseguimos mais nos afastar.

Sinto-me privilegiada de te conhecer assim.

Bjs.

Ivan Bueno disse...

Patrícia,
Identificação total com o poema. E é escrito de tal forma que quase se transforma em uma foto. Várias imagens, aliás, passaram pela minha cabeça durante a leitura.
A solidão às vezes é boa companheira, às vezes nem tanto. Acho que, como você disse, compete a nós aprender a fazê-la boa ou ruim.
Beijo grande,

Ivan Bueno
blog: Empirismo Vernacular
www.eng-ivanbueno.blogspot.com

Patrícia Gonçalves disse...

Helcio, que lindo comentário! O segredo é esse, amar intransitivamente!

bj

Patrícia Gonçalves disse...

Juliano, obrigada! versos em gotas!

beijão!

Patrícia Gonçalves disse...

Marcio, a tarde quando cai sempre nos faz pensar...

Sempre tive um especial apreço pela tarde, depois das cinco antes das seis... Esse período tem uma singularidade especial, a coloração dos últimos raios do sol, a temperatura...

Moço, eu é que sou sua fã!!! Vou além mar pra te ler!!! rsrs

beijo garnde

Patrícia Gonçalves disse...

Juan, fico feliz que tenha gostado!

Abração!

Patrícia Gonçalves disse...

Lara, linda, obrigada!

É, acho que esse sentimento é comum aos poetas, uma ausência que se faz presente e nos acompanha. Acho que por conta dessa ausência e solidão é que buscamos tanto...

beijão!

Patrícia Gonçalves disse...

Valéria, grata, moça! sei não..., acho que não daria conta do recado!

Beijão!

Patrícia Gonçalves disse...

Alessandra, minha lindinha, muito bom saber que está perto! Privilégio é meu!!!

O problema é que essa solidão aqui não se intimida frente aos outros, nos acompanha em meio à multidão.

beijo grande

Patrícia Gonçalves disse...

Ivan, escrevi esse poema enquanto olhava as árvores da janela da minha sala, na praia de botafogo, há séculos atrás, simplesmente descrevi o que via e sentia. Que bom que consegui passar o quadro!

Esse aprendizado é lento, algumas vezes doloroso, mas necessário já que a solidão é companheira constante.

Beijo grande poeta!

Sylvia Araujo disse...

Essa melancolia cheinha de imagens bonitas me embalou. Ando assim, com um vento soprando bem dentro.

Um beijo enorme, Patrícia.