domingo, maio 29, 2011

o prazer cálido das manhãs inexistentes*


a maciez da noite cai translúcida
tímida ante seu olhar tremulo de moca jovem
a alma voa livre para encontrar o amor perdido na madrugada dos tempos
seu toque suave insiste na lágrima que molha caminhos


dedos ao acaso revelam um amor doído
orgasmo de um desejo incerto


seu olhar jamais volveu ao meu, e no entanto, ainda te busco nos
amanhãs que nunca chegam.


* p. s - esse poema está la no blog do amigo Tuca Zamagana, desinformação seletiva,  faz parte de um presente coletivo para a linda Raíssa. Mais uma vez, parabéns Raíssa!

quarta-feira, maio 25, 2011

Espera

te busco, de forma incerta
na certeza de amanhãs que virão
na geografia imprecisa
entre um raio de sol
e uma folha trêmula
o veludo da terra abriga
segredos úmidos
uma dor, sem pai ou mãe
orfã dos tempos
das horas também incertas
acalenta ausências

não há conforto na dor do amor
somente a certeza...
do vazio





domingo, maio 22, 2011

Despedida

Obscura em mim sua alma sem detalhes
silenciando lamúrias sutis de um entardecer opaco

feito de espelho e quimeras de um desejo antigo
com brisas de folhas azuis a agitar a janela
mosaico de pedras e seixos esquecidos
gravetos mortos e tortos
saídos, de um simples
era uma vez...


quinta-feira, maio 05, 2011

Previsão do tempo

te quero como uma manhã gentil
clara, límpida
e leves nuvens esparsas
lá longe no horizonte
desejo bobo de previsão do tempo
ah, ledo engano meteorológico
amanheceste assim
nublado e tempestuoso
e eu, sem galochas ou guarda-chuva
fiquei assim
molhada e com frio

segunda-feira, maio 02, 2011

Desejo


o riacho cala o silêncio da tua nudez


                   o vento treme ao ver-te nua


                                    ambos perpetuam desejos


À flor da pele!
Foto: À flor da pele - Mcpial /br.olhares.com


domingo, maio 01, 2011

jazia a morte
inerte
esta perdeu a sorte
numa rodada de dados


havia perdido sua vez
e a vida




domingo, abril 24, 2011

Silêncio

folhas caem de mim na neve fina que cobre a calçada
saltos ecoam no frio, além de um silêncio imanente que brota das coisas
alguns corvos alheios brincam em uma estátua complacente
raios de um sol tímido tentam cobrir arbustos nus

a fumaça dança preguiçosamente persistindo aquecer coração e mente
da chávena sobe e leva o olhar que foge e alcança milhas
[observa o rio que corre, o rio]
ausente do frio, mergulha nas águas profundas
águas tranqüilas que transbordam indecisões do momento
folhas, frios, dúvidas, tatuados em uma manhã cinzenta

p.s - A música é casada com o texto, é fundamental ouvi-la.

sexta-feira, abril 22, 2011

Jornada

não hesite
simplesmente, abra a porta
a hora é essa, de começar a jornada
abra o coração, os braços
e mergulhe de cabeça
o que está te chamando?
A VIDA
a vida te chama
não hesite, e como diz a música
“um pé na frente do outro
este é o ínicio da jornada”


p.s - caso não queira começar sua jornada agora, pelo menos dance, a música é ótima!!!


quinta-feira, abril 21, 2011

Sinto tua ausência

meu olhar trespassa o vazio
na busca do contorno de algo que foi

se o sol não vem mais aquecer as flores
ou, por ventura, o mar silenciar suas ondas
estrelas escuras em um céu sem cores
sobre o que falarei eu

e, se minha mão negar o carinho do vento
saberei que roubaste, não de propósito
o sabor do momento

e, neste átimo silêncio
entre o perene e eterno
em algum lugar
promessa
te espero


P.S - A você que está por aí em algum lugar bebendo vinho, fumando charuto, ouvindo um bom jazz, meu amor em palavras e agradecimento pela linda caminhada!

quarta-feira, abril 20, 2011

Se eu tivesse que me lembrar de uma coisa definitivamente seria de sua risada, quente, calorosa, que abraçava. Do toque quente da sua mão, de sua tez rosada, sim porque você tinha tez, essa era nossa piada. Me lembro da cor azul, a cor de sua camisa. Me lembro de voce rindo em sua camisa azul e seus charmosos cabelos brancos.Moço, são dois anos sem você, aprendi tanta coisa, criei esse blog, mostrei pro mundo minha poesia. Descobri que posso escrever.Voce iria ficar puto da vida, além de vegtariana inventei uma maluquices, ando comendo alimentos crus, algas e outras coisas estranhas. O Thomaz está enorme, a Anita também, os dois andam bem levados e tem hora que sinto sua falta em me dar apoio e dizer que sou um aótima mãe e deveria cobrar menos de mim. Os dois estão bem e vão ficar bem.

terça-feira, abril 19, 2011

na moldura do quadro
que limita a cena
a noite chora sua tristeza
em algum lugar a chuva cai
e molha com vida minha noite

segunda-feira, abril 18, 2011

O mundo acabou
ninguém foi informado
as luzes permaneceram acesas
as pessoas continuaram indo pra suas casas

falta alguma coisa
alguma coisa falta
e não é uma pedra no caminho

ausência maior
vazio
espaço sem limites
ausência sem matéria
empty bowl

domingo, abril 17, 2011

um jardim

dores mudas, não ditas, escondidas
flores abandonadas
de um jardim esquecido
onde outrora floresciam girassóis
hoje chora o balanço
miúdo, quando o vento passa
portão quebrado
cerca caída
na janela aberta
uma cortina rasgada
o balanço alheio a tudo embala o silêncio


p.s - quando li o poema da nydia bonetti, sorri e voltei ao passado, perdido no fundo do baú, busquei os versos acima que conversam com o poema dela.

Período branco

Período mutante, reflexo direto nas paredes que cercam este espaço virtual, que não andava cores quentes, muito menos, folhas outonais, talvez, folhas secas no chão de inverno, mas esse motivo não há. A mandala colorida escolhida também não condiz, assim, apresento em branco e preto, não vazio de cor, mas com um certo enfastio para as cores. Com o branco, da mesma forma que uma tela, abre-se espaço para a construção. O processo é o mesmo, como uma tela ou folha em branco, aberta para as cores, linhas, volumes e formas que surgirão.

Acidez

Tomou um trago da bebida e olhou à volta, buscando outro olhar, seu reflexo, algum sinal de vida. Sentiu vontade de fumar, gentilmente pediu um cigarro ao bêbado, tragou fundo, fundo, melhor impossível, que se dane os pulmões ou a ameaça de câncer, queria o prazer eterno do instante, o prazer das fumaças, da névoa, do vício puro e seco, da bebida, do cigarro e, talvez, porque não, do sexo, por cima do ombro, disfarçadamente, olhou à volta novamente, não havia vida aqui, e o bêbado, bem, o bêbado não contava...

quinta-feira, abril 14, 2011

Encontro

Sabe em mim teu zelo, teus anseios desmedidos, um amor quase sufocante, protetor. Em mim brilha o sol
suave e quente, de manhãs de verão e brisa na praia, mãos dadas a correr e a alegria boba de quem não tem pressa, a vida fugia e éramos jovens, bem, eu era jovem. Você como herói, sempre a postos para me salvar
de todos os tormentos, te angustiava minha independência, meus momentos de rebeldia, quando fugia e te deivaxa louco. No fim, você fugiu, e eu, fiquei louca. Talvez, em algum momento futuro ou, por certo, outra dimensão, a gente se encontre, prometo não fugir se você também não.

quarta-feira, abril 13, 2011

The end

Adentrou a casa e o fedor impregnou-lhe a alma, mistura de suor, fezes e urina, subiu as escadas entre ânsias de vômito e súplicas ao bom Deus - permita-me não vomitar, por favor - entre um sorriso e lágrimas, resumo de uma vida, cabelos revoltos, cobertas e moscas, no chão uma embalagem de biscoito denunciava o crime. Mais choros e a confissão - nada é o que parece ser. Limito minha existência a um sorriso fraco, tento ser forte, seguro suas mãos e contemplo sua cor amarela, pele seca e fria, o cheiro se foi, aperto sua mão e sorrio. Que mistério seria esse, cruzar vidas ao final de uma, voce se foi e eu fiquei, qual o sentido, te disse sim, te sorri, te confortei e fiquei com as misérias da lembrança ou as lembranças da miséria. Quisera eu esquecer tudo e você ainda deitada, comendo biscoitos entre lágrimas e moscas. Merda de vida.

terça-feira, abril 12, 2011

Sombras, talvez

Não me habitam as palavras, habitam sombras, sombras vagas, difusas, que se escondem aos prantos, nos cantos, tormentos do agora, do que foi ou poderia ser, sombras, desenhos opacos, da tênue luz que limita e cerca, sentimentos a esmos, dor, prazer, você em mim, perdido, de tanto em tanto, não me queira mal, te quero bem, tão bem que dói, o amor desconheço, mas conheço o ferir de querer, a mão que prende e também liberta, me deixe ir, não sei o que quero, talvez o sol do amanha ou talvez a brisa da tarde, me beije e, então, se vá, não me ouça, não sei o que falo, já nem sei e me perco, me perco em palavras, não, em sombras, e como círculo um todo recomeço, e então, de novo, as sombras....

terça-feira, março 01, 2011

Aniversário

Aniversário!!!

Parabéns! Meu primeiro pensamento é de gratidão, agradecer por tudo, por todos os raios de sol, por todo o azul, todo o verde, todas as cores dessa palheta maravilhosa chamada vida. Olho pra trás e meu coração se enche de alegria por toda a vida construída, grandes avanços, caminhos percorridos, tropeços e recomeços. As dores, essas não mais me pertencem, ficaram perdidas na curva, lá atrás, viu, atrás daquele monte. Sou acompanhada pela brisa, pelo farfalhar das folhas e um sentimento muito forte de união, união com o todo. Assim, agradeço o sorriso, o olhar, seu desprendimento, cada palavra de carinho e afago. Abraço você no meu aniversário e agradeço por caminhar comigo, agradeço se você me deu a mão, um sorriso, conselhos ou então, mesmo, algumas pedras no caminho, a você também agradeço. Abraços, cheios de vida, abraços rodopiantes de êxtase, vamos brindar!Pegue sua taça!

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Conselho

Adentrou o espaço e buscou, não sabia bem o que buscava, talvez um encontro, palavras que pudessem responder que sua ausência estava sendo sentida. Buscou referências, buscou se encontrar entre uma frase e outra, alguma pista que lhe dissesse o que fazer. Talvez devesse se aproximar, entrar em contato e pagar para ver, sim, por que não? Pagar para ver o inusitado, o diferente, aquela que suscitou estranheza e ao mesmo tempo desejo. Sim, desejo de beijar-lhe a boca, e, depois de frases reveladoras, um desejo imenso de mergulhar naquele corpo e matar sua sede, sede não simplesmente de sexo, de algo mais, de uma promessa... Ainda tem dúvida? Pague pra ver.