quinta-feira, agosto 28, 2014

Reinvenção



Olho os pés à procura da direção do caminhar,
se está plantado firme e forte ou se
repousa à espera de um comando sereno.

pernas quietas sentadas em posição de lótus,
mãos em um mudrá silencioso agradecem,

a mente observa, espreita um sentir não definido,
um vazio ausente de nada,
um nada ausente de vazio,

em meio ao nada e o vazio,
existo
|absoluta|.



quinta-feira, março 20, 2014

Fragmentos genéricos


s  o  u     e   m     p  a  r  t  e  s, 
souinteira,
sou dizzzima periódica,
+ soma + que # nunca bate,

o latido ao longe não prenuncia nada, somente um cachorro com tédio.

a luz da lua é fria, nem por isso deixa de aquecer os corações apaixonados.

volta e meio me recordo de você, sonhos recorrentes que nada explicam, mas ficam, deixando um gosto de ontem, misturado com algumas lágrimas que fogem para a ver a luz da manhã.


quinta-feira, dezembro 06, 2012

Incompatibilidade de reinos

uma pedra, é só uma pedra
como um sapo, é só um sapo

no caminho, o sapo coachava para a pedra,

em vão...

a pedra não falava língua de sapo.


sábado, novembro 03, 2012

Cores


e, do mar, fez-se a luz

na divisão dos mundos
repartiram-se os ares

dores para a esquerda
e o azul, do não dito

a espera do amanhã
no caracol do sentidos,

fica ao meu lado.


Pintura Sr. Do Vale Blog Particulas do Sentido


sexta-feira, novembro 02, 2012

Futuro provável ou improvável?

Olhou o marcador do relógio e fez a conta, exatos 5 meses que não fazia sexo! Suspirou e olhou pra cima, bendita a hora que as mulheres tomaram o poder, não que fosse anti-feminista, pelo contrário, adorou ver os homens procurando o caminho de casa, mas peraí, reconquistar espaço é uma coisa, surtar com mania de poder e fazer perseguição é outra. Desde que as mulheres conseguiram passar na câmara a bendita lei que garantia o prazer da mulher, a coisa passou a ficar feia.

Os homens não estavam mais querendo sexo por sexo, o número de processos, prisões e mutilação era cada vez maior. A lei garantia prazer completo, orgasmo em cada intercurso. Caso o homem não conseguisse satisfazer a mulher, ele podia ser processado, multado, e dependendo do caso, ficar sem o seu instrumento.

Os homens mais tranqüilos eram os casados dado que suas mulheres não queriam passar pelo constrangimento de serem expostas, mas pobres coitados acabavam  reféns de suas megeras. Assim, todos os dias homens eram processados por noivas enganadas, esposas traídas, namoradas ciumentas, a bendita lei virou vingança.

O tiro acabou saindo pela culatra, se antes havia sexo mesmo sem orgasmo, agora não havia sexo algum. Na verdade, o número de homossexualismo masculino estava aumentando. Afinal, os homens eram mais leais uns aos outros. Quem ia querer sair com aquelas mulheres loucas?

Sexo acabou virando raridade, artigo de luxo e quem se garantia cobrava peso de ouro. O mercado estava bastante aquecido, nunca se vendeu tantos acessórios, cursos de danças exóticas, salas e mais salas abarrotadas por homens ávidos por descobrir o tão famigerado ponto G, a arte do cunnilingus e todas as outras promessas impossíveis do paraíso.

Nunca se levou tão a sério o prazer feminino, matéria constante em todos os programas de TV, do Fantástico ao Globo Repórter, até os programas dominicais. As chamadas eram sempre as mesmas, veja aqui como garantir o prazer de sua mulher, aprenda a dar orgasmo com o beijo, abraço, aperto de mão, olhar...As pesquisas agora versavam sobre as novas descobertas das rotas para o ponto G, milímetros ao norte, milímetros ao sul e marque um X se achar.

E, como não podia deixar de ser novas correntes iam surgindo, a dos esotéricos com o sexo quântico, a dos naturebas com o sexo orgânico, sexo divino para os evangélicos...

Cansou de refletir sobre o assunto e ponderou sobre suas opções, amantes intergalácticos, se lembrou que  a última vez que saiu com um garoto de programa interplanetário foi meio traumático, a temperatura mais fria da pele causava-lhe estranheza, se bem que o fato de possuírem dois pênis era uma compensação e altamente tentador,  mas mesmo com os dois pênis desistiu. Naquela noite, decidiu sair para caçar um humano, da Terra mesmo, se vestiu da forma mais sexy, passou seu perfume de feromônio mais poderoso e foi para o mais novo clube, aberto na esteira do sucesso da lei. Aguardou, sabia que mais cedo ou mais tarde os fios da teia iriam acusar que uma presa havia sido fisgada.





quarta-feira, outubro 31, 2012

Manhãs



A palavra não dita sustenta o afago

de uma manhã escrita em silêncios
Verto um olhar complacente sobre dores alheias
que se tornam eco de minhas lembranças

A linha tênue do meu sentir delimita o espaço
sagrado das sombras que caem sobre as tardes de ti

Reverencio distante o despertar do dia
trazendo a luz que aquece em mim
Matizes outonais, notas musicais
e, uma felicidade, recém descoberta
com sabor de vida.




Foto: Patricia Gonçalves - Nascer do sol em Grand Canyon.

quarta-feira, março 28, 2012

A noite encenando a noite


Busco rotas que se insinuam
entre o dobrar de páginas 
de um livro e as horas 
escritas na pele
com luz da noite
feita de brumas e estrelas

O sorriso do céu escancara 
o branco da lua, nua e sem vergonha 
que se expõe sem culpa 
e, despudorada mostra sua flor
que exala o perfume 
das paixões e dos amantes

Um bêbado, um gato e uma prostituta dançam sob o luar

Em algum lugar ao leste, a luz prenuncia a chegada do dia
e o cair dos panos, dando a deixa aos atores para se retirarem do palco.

Aplausos, senhores (comanda uma voz em off). De pé!

domingo, março 25, 2012

A pedra


suspensa sobre tempos e templos, entre linhas e formas tortas

sob o céu se ergue a pedra

alheia ao vento que varre os segredos da terra

perdoa os impuros 

e libera o pó, que colore a luz do entardecer

entre a pedra e o chão que dorme, repousa a sombra

guardiã dos medos que inibem a vida.


Ainda guardo em meus dedos tímidos os lamentos que o rio encobre.

Foto: Patricia Gonçalves - Grand Canyon

sexta-feira, março 23, 2012

Vestígios

tem gosto de mar
com uma pitada de limão,
o vento que sopra tem sabor de vida
de histórias contadas em grão de areia
que escorrem da ampulheta e mostram o tempo
tempo inventado
com areia inventada
de histórias inventadas


mas, o vento é real
e a vida, é real?
sei não...


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te escuto em pensamento
pois, palavras tímidas não falam
emudecem um querer de silêncios


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entre sombras de um jardim
a  mão afoita insinua 
a colheita da flor


sexta-feira, março 02, 2012

Ilusão

A linha tênue do tempo dissipa a espera da tarde, e o tempo, que não é e não está, inexiste, passado, presente e futuro, tudo se funde no agora. Assim, a realidade é pura ilusão e o exercício eterno é reinventar formas e definir limites de algo, talvez, que nunca venha a ser.

p.s. - O barato é sair por aí criando e recriando o tempo todo, assim, vamos usar nossa criatividade e nos recriar! O foda é superar o medo!

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Vida inefável


Ando às voltas com o sentimento do inefável, nada a ser dito das coisas impossíveis de serem ditas ou descritas, mesmo o sentimento maior da existência e suas brumas matinais. Há muito descobri que tentar descrever algo é reduzí-lo a uma condição menor. Assim, busco preservar a essência no silêncio, considerando a transformação contínua de tudo, a reversibilidade é imanente a tudo e todos, não somos nunca, estamos o tempo todo, continuamente. A eterna roda da vida, girando...

“Acordou, entreabriu os olhos lentamente deixando a luz da manhã passar de forma bem suave pela retina. Espreguiçou e olhou para o lado, sua transformação havia sido completa, admirou a nova pele, linda, translúcida e brilhante, como retoque se lambeu limpando os últimos vestígios de uma fantasia rota. Livre, finalmente, a forma estava completa, agilmente pulou para fora do ninho, se sacudiu e saiu à cata do melhor conteúdo.”

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Old souls

Penso em ti de forma recorrente, os pensamentos livres e autômatos não pedem licença, se instalam e propagam emoções desconexas, sinto tua falta como uma abstinência imposta sem o propósito, o sacrifício não expia culpas, a privação dos sentidos não traz serenidade e sim a angústia da espera, talvez uma lembrança esquecida de tempos remotos que insiste na curva do teu queixo ou no som de tua risada. Muito mais que palavras na trilha sob as folhas secas, um perfume de incenso que perdura no ar, a cortina tênue não encobre os signos do tempo que se fazem presente, há na textura da pele e no sabor do teu beijo uma vaga memória que persiste em minha alma.

domingo, novembro 27, 2011

Magia


Havia sentido sua presença, como uma corça sente instintivamente o predador. Seu hálito quente desmentia sutilezas e insinuava a rendição inercial dos sentidos. Desejava-lhe de forma errante, sem a precisão das latitudes ou longitudes entre sombras e ténues luzes, buscava o contorno do prazer etéreo, a resposta ainda não dita, a simplicidade física de espasmos gerados no avesso, reflexo instantâneo de pensamentos aleatórios carregados de sussurros inaudíveis, imaginados no esboço do traço que persiste em carícias silenciosas...

domingo, novembro 20, 2011

Liquefação dos sentidos


Naquela manhã especialmente acordara diferente, ao invés de espiar a vida pela janela, pulou da cama e correu ao espelho, urgência em saber-se sólida. Durante a noite havia sonhado que era líquida, mulher líquido, assim queria o contato da retina pra certificar uma solidez cristalizada em reflexo. Acendeu a luz, uma imagem suave e simpática aconchegou-lhe um bom dia, trocaram caricias gentis entre alguns pedidos de desculpas e juras de amor eterno. Mais tranquila, caminhou lentamente até a janela agradecendo em silêncio a luz do sol que incidia sobre seu corpo e certificava sua existência, contudo não havia percebido que aos seus pés, gotas denunciavam um provável degelo.

segunda-feira, novembro 14, 2011

Entre o céu e a terra habitam as incertezas



Havia inscrito-o sob a pele em uma operação meticulosa de ato cirúrgico e um quase haraquiri, desconhecia do amálgama resultante qual parte lhe cabia e qual parte era presente.  Embora, soubesse desde o inicio que não havia como sair incólume do ato de observar a própria experiência.



quinta-feira, novembro 10, 2011

Uma rolinha volta e meia visita minha varanda. Seu piar é triste como o piar de todas as rolinhas. Quisera eu falar língua de rolinha para confortá-la, mas como não falo me limito a conjecturar a trsiteza de seu arrulhar. Há cerca de quatro meses, minha varanda virou maternidade de rolinhas, elas fazem ninho na renda portuguesa. PObre coitada da renda ficou amarela por falta dágua. Obvio, a  orientaçãoe ra não pertubar a rolinha nesses estado tão sensivel. Em duas semanas os filhotes cresceram e foram embora, dois meses depois outra rolinha voltou, e ciclo recomeçou. A semana passada a familia foi embora, mas volta e meia aparece uma roilinha triste no jardim.

terça-feira, novembro 08, 2011

Mula, uma árvore e rosas - personagens secundários


[          Trazia na algibeira, fumo, uma garrafa de pinga e uma foto esmaecida de sua mãe quando mocinha. O sol queimava-lhe a pele, os miolos não, porque o chapéu velho protegia. Olhou pra longe e deu uma preguiça miserável de cavalgar até onde a vista alcançava. Sentiu saudade da infância onde o mais longe que se via era o curral e o vulto negro das vacas. Agora estava ali, fadado que nem alma penada a comer poeira debaixo de um sol escaldante. Reviu a mulher desdentada que sem perguntar havia previsto que morreria sozinho num lugar distante. Longe estava e bem distante por sinal, só restava agora morrer, pensou em um rasgo de humor negro. Cuspiu o fumo, olhou o céu e ponderou que a morte naquele instante parecia um cenário bem mais agradável que o visto de cima do lombo daquela mula velha. ]

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[          Cafés fumegantes, bocas e um sorriso vermelho, a árvore cúmplice tudo ouvia. Sentiu-se incomodado com as folhas tremulantes que pareciam rir de suas palavras trôpegas. Olhou nervoso, buscando outro sitio para sentar, sem saber como explicar que fugia de uma árvore intrusa que ouvia seus segredos. Ah, além de ridículo percebeu-se também louco, e ali, bem ali, entre a árvore e os dentes, se deu conta de que a vida, na verdade, era uma encenação boba de uma peça qualquer de algum autor entediado. ]

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[           Releu mais uma vez a carta, promessas de amor eterno, amassou entre os dedos e os seios, suspirando um desejo morno. Escondeu a missiva entre as partes pudendas, gostava assim de carregá-lo rente ao corpo, insinuando um pecado histórico. Suspirou novamente, arrumou o cabelo e resoluta foi preparar o chá, de Rosas Brancas, pra combinar com sua tão preciosa castidade. ]

sábado, novembro 05, 2011


entre a flor e a calçada, uma nudez pálida 
de pedra lavada em gotas de chuva
revela segredos sutis da madrugada

sexta-feira, novembro 04, 2011

Valquíria


Toco-lhe entre concreta e fugidia, não correndo o risco de ver me presa, escapo ao tato, o espinho da rosa fere, assim como minhas palavras, não queira beijar-me, morrerás sedento, e eu a correr mundo, alada como uma Valquíria, escolhendo os eleitos. Crês em vida eterna, então não venhas a mim.