quinta-feira, novembro 10, 2011

Uma rolinha volta e meia visita minha varanda. Seu piar é triste como o piar de todas as rolinhas. Quisera eu falar língua de rolinha para confortá-la, mas como não falo me limito a conjecturar a trsiteza de seu arrulhar. Há cerca de quatro meses, minha varanda virou maternidade de rolinhas, elas fazem ninho na renda portuguesa. PObre coitada da renda ficou amarela por falta dágua. Obvio, a  orientaçãoe ra não pertubar a rolinha nesses estado tão sensivel. Em duas semanas os filhotes cresceram e foram embora, dois meses depois outra rolinha voltou, e ciclo recomeçou. A semana passada a familia foi embora, mas volta e meia aparece uma roilinha triste no jardim.

terça-feira, novembro 08, 2011

Mula, uma árvore e rosas - personagens secundários


[          Trazia na algibeira, fumo, uma garrafa de pinga e uma foto esmaecida de sua mãe quando mocinha. O sol queimava-lhe a pele, os miolos não, porque o chapéu velho protegia. Olhou pra longe e deu uma preguiça miserável de cavalgar até onde a vista alcançava. Sentiu saudade da infância onde o mais longe que se via era o curral e o vulto negro das vacas. Agora estava ali, fadado que nem alma penada a comer poeira debaixo de um sol escaldante. Reviu a mulher desdentada que sem perguntar havia previsto que morreria sozinho num lugar distante. Longe estava e bem distante por sinal, só restava agora morrer, pensou em um rasgo de humor negro. Cuspiu o fumo, olhou o céu e ponderou que a morte naquele instante parecia um cenário bem mais agradável que o visto de cima do lombo daquela mula velha. ]

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[          Cafés fumegantes, bocas e um sorriso vermelho, a árvore cúmplice tudo ouvia. Sentiu-se incomodado com as folhas tremulantes que pareciam rir de suas palavras trôpegas. Olhou nervoso, buscando outro sitio para sentar, sem saber como explicar que fugia de uma árvore intrusa que ouvia seus segredos. Ah, além de ridículo percebeu-se também louco, e ali, bem ali, entre a árvore e os dentes, se deu conta de que a vida, na verdade, era uma encenação boba de uma peça qualquer de algum autor entediado. ]

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[           Releu mais uma vez a carta, promessas de amor eterno, amassou entre os dedos e os seios, suspirando um desejo morno. Escondeu a missiva entre as partes pudendas, gostava assim de carregá-lo rente ao corpo, insinuando um pecado histórico. Suspirou novamente, arrumou o cabelo e resoluta foi preparar o chá, de Rosas Brancas, pra combinar com sua tão preciosa castidade. ]

sábado, novembro 05, 2011


entre a flor e a calçada, uma nudez pálida 
de pedra lavada em gotas de chuva
revela segredos sutis da madrugada

sexta-feira, novembro 04, 2011

Valquíria


Toco-lhe entre concreta e fugidia, não correndo o risco de ver me presa, escapo ao tato, o espinho da rosa fere, assim como minhas palavras, não queira beijar-me, morrerás sedento, e eu a correr mundo, alada como uma Valquíria, escolhendo os eleitos. Crês em vida eterna, então não venhas a mim.


domingo, outubro 23, 2011

Tardes

Acalento lembranças
como também sombras 
que o sol projeta na parede
há amores trancados em mim 
esperando somente 
a troca de guardas 
para fugir madrugada à fora


Insisto em ruminar medos 
e como mosaico
me quedo em partes 
à espera da brisa da tarde
que como amiga velha 
vem aquecer os ossos 
com uma xícara de chá e 
dedos de prosa

sexta-feira, outubro 21, 2011

Cursed

Cada palavra era como beijo suave, adejar de borboleta pós chuva fresca em manhãs primaveris.

Buscava-a, como quem busca furtivo uma droga, se esgueirava sorrateiro atrás de sombras e, talvez, uma culpa. Resistia à possibilidade de tê-la perdido, embora nunca a tivesse. No entanto, guardava um segredo, entre poesias, vinhos e desejos, vislumbrara sua alma nua, e agora, a mantinha aprisionada em lembranças, essas que voltavam intermitentes para assombrá-lo.


E, como em um pacto, foram ambos amaldiçoados, por palavras e lembranças, 
a se buscarem...

quarta-feira, outubro 19, 2011

Intermezzo

Enquanto olhava-o nos olhos desabotoou silenciosamente o último botão da blusa. Não usava soutien, talvez em um ato tardio de rebeldia, tampouco usava pérolas ou qualquer outro adorno. Prendia-o com o olhar, muita mais que sua nudez opaca. Foi até à bolsa e acendeu de forma ausente um cigarro, tragou, esperou, e, por último soprou a fumaça na chama pra ver o efeito de vê-la avivar. Prazer. Fogo, cor vermelho sangue. Caminhou até à janela, parou e contemplou o vazio do longe. Nada havia a ser dito e, no entanto, tudo a conversar.
- Sinto sua falta - Informou de forma lacônica, como quem dita uma carta. Me chame de louca, talvez eu seja, mas mesmo assim, ainda sinto sua falta.

quarta-feira, outubro 12, 2011

Desculpas

Algumas vezes, a única coisa que nos resta é um singelo pedido de desculpas, nada mais. Nenhuma outra palavra ou justificativa que possa dar conta de um ato total de inabilidade em lidar com o sentimento alheio.

Assim, estou sendo corroída pela culpa, culpa por transitar sem carteira de habilitação por estradas desconhecidas, culpa por atropelar sentimentos e esfacelar fantasias.

Assim, somente me resta, pedir desculpas.

terça-feira, outubro 11, 2011

Dia não genérico

De cama, a observar o mundo, meu ciático deu o ar da graça, e estou assim, meio torta, não muito diferente do meu estado natural, um ser meio torto.

Pois bem, estou aqui a contemplar, da minha cama admiro meu pequeno jardim de suculentas e as montanhas ao fundo em meio às nuvens, como num quadro de Turner. E, o vento, que vem a cada hora perguntar como estou.

É interessante, simplesmente, contemplar e ao mesmo tempo se deixar admirar de que fazemos parte.


sábado, outubro 08, 2011

Bom dia

Esta postagem é somente pra te dizer "Bom dia"!

Seja bem vindo, leia, sinta, passeie pelos versos!

A manhã lhe dá bom dia, as flores lhe dão bom dia, as árvores, o sol, deixe a energia do dia te envolver, se entregue!

Beijo grande

domingo, outubro 02, 2011

Nós seres comedores *


Quem me conhece acompanha minha luta, batalha interna em me tornar um ser mais evoluído, integrado à natureza, e, por conseguinte, vegetariano. Há uns 9 anos que vivo entre estar vegetariano e onívoro. Um amigo disse que eu não era vegetariana e sim estava. Ele estava certo, nesses nove anos nunca fui totalmente vegetariana.

Tudo começou na gravidez, fui fazer yoga e tive oportunidade de conviver com seres mais evoluídos, que se preocupam com o planeta, energias e seres vivos não comestíveis. Sou uma pessoa altamente influenciável, ainda bem, na adolescência minha mãe vivia me dizendo para olhar as companhias, e eu morria de medo das más companhias que comiam criancinhas. Assim, passei incólume pela adolescência sem comer criancinha alguma.

Pois bem, nesse grupo comecei a ter preocupações com alimentação, arroz cateto, feijão azuki, algas, pastas de soja, pão sem glúten, clorofila, e por aí vai. Sou extremista do tipo radical, quando mergulho, mergulho fundo, não dou vôos rasantes. E assim, fiquei mais radical dos mais radicais, parecia que tinha nascido vegetariana. Tudo piorou quando influenciada por um amigo, comecei a querer me alimentar com comida crua, esse então comia pão assado no calor do sol. E, o interessante é que uma viagem leva a outra viagem e a outra, sempre com companheiros de viagem mais interessantes, que contribuem para encher nossa maleta de viagem cada vez mais com esquisitices. Dessas minhas viagens comecei a beber água com argila que é excelente, carvão vegetal em pó, clorofila, suco verde, suco vivo, babosa, erva de passarinho etc.

Recentemente, não tão recentemente, desde que me separei, há uns 4 anos venho tentando manter a alimentação mais saudável e não comer seres vivos com mobilidade.(Segundo um amigo, ele é carnívoro porque é contra comer seres imóveis, os vegetais nada podem fazer para fugir a nossa caçada). Mas, digo que é difícil, fico sempre na linha tênue em ser mais evoluída e me levar pelos anseios primitivos da carne. Assim, venho alternando períodos evoluídos com períodos de barbárie (desculpem-me, seres comedores de carne), mas é assim que me sinto.

Toda vez que acho que estou caindo em tentação entro naqueles sites vegetarianos que mostram porquinhos, vaquinhas, pintinhos com as estórias mais tristes de meus amiguinhos e eu choro horrores (meus filhos já até sabem e perguntam - mãe vc esta vendo a vitela de novo?). Depois, saio renovada e fico ainda mais determinada a não me deixar levar pelos meus instintos de predadora. Visitar esses sites aplaca minha fome de carne, mas da última vez não adiantou muito.

A primeira vez que sucumbi, eu já estava há um bom tempo sem comer carne e vivia sonhando com bacon, presuntos e costelas. Verdade, tinha um sonho que era recorrente, uma festa romana com bailarinas em roupas esvoaçantes dançando com pernis assados em bandejas. Não me pergunte o porquê das bailarinas, nem eu nem a analista decodificamos o sonho. Nessa época eu tive uma gastroenterite braba, quase morri (sou exagerada) fiquei três dias comendo papa de arroz sem tempero e óleo algum. No terceiro dia, tonta de fome fui ao supermercado comprar alimentos, e sem me dar conta me peguei parada em frente à seção de frios, fiquei namorando todos aqueles pastramis, presuntos, parmas e mortadelas. Não agüentei muito tempo, comprei meio quilo de alguma coisa vermelha, cheirosa e saborosa, não esperei nem chegar em casa, comi uns 3 sanduíches no estacionamento. No dia seguinte comi feijoada e no terceiro dia, um joelho de porco em um maravilhoso restaurante alemão. E o pior, é que não senti nada, nenhum mal estar, absolutamente, nada, nada que pudesse dar forma ou cor a uma possível culpa de comer meus irmãozinhos.

Os amigos deliram de felicidade quando você cai em tentação, é como se você tivesse uma doença grave, e, de repente, estivesse livre da morte. Não entendo.

A carne de vaca eu não como ate hoje, mas, de carne branca passei a comer carne bege, mais recentemente rosa e laranja. Já me percebi relativizando e reclassificando, o camarão é quase um vegetal, poderia ser uma planta, a lagosta também não conta, o peixe é peixe e Jesus distribuía, assim, não tem problema.

Da última vez, voltar a comer carne foi uma decisão do universo e não minha. Eu estava novamente sonhando com carne, me sentindo comendo picanha, mas, resistia bravamente, até um sábado que passei novamente por um jejum forçado. Cheguei em casa querendo enfiar o pé na jaca, liguei para uma amiga que estava passando mal, fiquei com preguiça de sair e acabei pedindo uma pizza. Consegui resisti à tentação de pedir uma pizza de peperoni e pedi uma de escarola, bem vegetariana!

Trinta minutas depois eu abro a caixa e meus olhos se arregalam, na caixa havia as mais lindas rodelas de lingüiça calabresa! Nem pensei em ligar e reclamar, pacientemente retirei cada rodela, uma a uma. Até que percebi meu dedos sujos e fui lamber as pontas, senti o sabor da lingüiça, lambi mais uma vez. Por fim, decidi lamber as próprias rodelas! Lambi umas quatro, na quinta decidi que poderia mastigar. Arrependida e com culpa cuspi a carne, mas engoli o sumo.... Olhei bem, olhei de novo e em um gesto repentino e impulsivo peguei todas as rodelas e joguei de volta na pizza. Enrolei bem e comi tudo, a pizza inteira, gigantesca, sozinha recheada de calabresa! (acho que nunca mais vou ter coragem de olhar um porco nos olhos novamente)

Como o meu amigo havia dito, não existem coincidências e temos que entender as mensagens do universo. Como ser inteligente (tudo bem, não entendi a geladeira), mas essa mensagem aqui era clara. A carne tinha chegado como um sinal do céu, como um presente para mim, e presentes a gente não questiona, ainda mais presente do universo. Assim, estou mais uma vez às voltas com meu lado bárbaro e comedor de seres (não por muito tempo, já que minha consciência e culpa não permitem), mas, até lá vocês, caros amigos, poderão ter o prazer de me convidar para um churrasco.


Beijos dominicais com sabor de picanha!!!

P.S - A tirinha é do sapobrothers

P.S II - * Tive que republicar esse texto, caros amigos, cai em tentação novamente e em um ato insano durante 3 dias consecutivos, comi - tenho que admitir, como quem admite os pecados em praça pública esperando ser açoitada - comi galetos. Deus, quase chorei, quase, justamente por não ser, o ser que busco ser, um ser evoluído. Vou parar por aqui, pois esse p.s. tá virando outra postagem!

segunda-feira, setembro 19, 2011

Indisponível

Não me olhe
Não sou mais quem digo ser
Fui
Meu sorriso não diz nada, não se iluda
Minhas palavras são vazias, promessas não cumpridas
Seja você por você, não me espere
Nem me dê a mão, tampouco
Não queira um carinho, palavra amiga, muito menos respostas

Talvez, um café na manhã cinzenta, e basta!

quinta-feira, agosto 25, 2011

Indefectível destino

Atrás de suaves carícias, olhei seus olhos, o brilho ingênuo lembrava coragem, determinação e bondade, olhos de quem busca o caminho, e eu, alguma pista que mostrasse o interesse, afinidades soltas, perdidas, toques avulsos de um inconsciente presente na ponta dos dedos. Conheço-te de longe, bem longe... Sem explicação aparente fiquei nervosa e com as pernas bambas. Ah, vá entender, coisas estranhas de mulher maluca que cisma com o indefectível destino. Será? Não sei, mas que dá o que pensar dá.

quarta-feira, agosto 10, 2011

Turista

Olho como quem olha bicho esquisito, olhar estrangeiro em terra estranha. Busco detalhes, o negativo de uma foto a revelar. Linhas, arcos, curvas, arquitetura imprecisa, sem rigidez, sem padrão. Na esquina um saco de lixo briga contra valores,  modernidade e educação. Temas, questões existenciais, arquitetônicas, emocionais passam como paisagem, pela janela fico admirando, como turista acidental uma realidade que me chega distante.

sexta-feira, agosto 05, 2011

deserto

a vida passa mais lenta, na poeira dos templos, nas pedras milenares, na sombra fresca da arvore, memorias de outras eras, o passado e o presente, na pedra.
em tel aviv
um olhar
a brisa
a onda que vem
seus olhos me sorrindo

em tel aviv

domingo, julho 03, 2011

TPM existencial

Somos 16,2 milhões de miseráveis (Brasil), somos espécie em extinção (planeta), celebramos a morte de alguém, e não é uma questão religiosa, jogamos lixo na rua, matamos, desprezamos, desonramos, esqueci de mais alguma coisa? Provavelmente... Seriamente, qual o nosso problema?

Queria correr muito, correr, correr e quando olhasse pra trás ver toda a existência ordinária abandonada no caminho, como pele de cobra. Ando meio sorumbática, ensimesmada e sem respostas. Impregnada de uma dualidade, não sei se choro ou se rio, se corro ou se fico e quando fico quero fugir. Se pacifico, me canso e quero a luta, se luto, me canso e quero a paz. E, essa indefinição de desejos, não é uma condição do meu gênero, contrariando Freud e Lacan, e sim do ser.

sexta-feira, junho 24, 2011

vida na prateleira


Letras tortas                             Lentilhas

Olhares Tortos                          Óculos Rayban

Falsos tormentos                      Dipirona sódica

Velas avulsas                            Todas do 7º dia


Ontem lembrei me de ti
num esforço mórbido de quem tenta vencer o Alzheimer

Lentilhas, óculos, analgésico e velas

Sintomas soltos de uma vida triste
ou
uma lista de compras do mês passado


quarta-feira, junho 15, 2011

Ecos do tempo

estendo o braço numa tentativa cega de tocar a superfície fria e branca da gota translúcida, tarde, a gota se esvai como o éter que desaparece, vejo seus olhos, não mais que seus olhos, esses me sorriem através do tempo, não vá, ainda peço, mas são ecos de um pedido negado, a fronteira do tempo para sempre irrompida, os acordes trazem a dor escura de mais uma noite sem lua, estrelas que nada dizem, cúmplices da música que ecoa a  minha volta e me veste como num ritual de morte.




quarta-feira, junho 01, 2011

Eu, ciclope

Tive um sonho estranho, sonhei que tinha somente um olho. Sim, eu era um ciclope. Não um qualquer, um ciclope fêmea, com certeza. Na minha esquisitice onírica eu delineava meu único olho com um lápis preto e com o dedo acertava o borrão. Dentro do meu sonho, na mais aparente normalidade, eu não questionava o fato de ter somente um olho e nem me achava estranha, minha única preocupação era acertar o contorno do delineador no meu único olho! Ficam perguntas, por que estava eu me embelezando? Eu só tinha um olho! Quem eu queria seduzir, com um único olho?  Deus, não posso mais comer caqui antes de dormir!

p.s - por razões óbvias, me abstive de fazer qualquer tipo de análise desse meu sonho tão revelador!